Um exemplo de discussão dialética

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Falemos, pois, sobre o Desenvolvimento Humano, na perspectiva psicossocial, de Erikson, em diálogo com a teoria psicossexual, de Freud.

Sem negar a teoria freudiana sobre desenvolvimento psicossexual, Erikson mudou o enfoque desta para o problema da identidade e das crises do ego, ancorado em um contexto sociocultural. Contudo, ambos modelos são deveras interessantes. Convido-lhe caro leitor, a presenciar um possível diálogo entre o néo-psicanalista e o fundador da escola psicológica.

- Sim, estimado Freud, explico-lhe que sua teoria, embora não possa ser negada, revela-se incompleta, haja vista que não versa sobre todas as fases do Desenvolvimento Humano.
- Caro Erikson, apesar de sua fala parecer-me bastante pertinente, não consigo entender como um psicanalista, embasado em teorias complexas cujas fontes não julgo que estejam carentes de fundamentos e princípios, poderia interpretar os estudos que tecem sobre a infância, parte fundamental do desenvolvimento, como incompletos. Acaso pode apontar alguma discrepância em relação à minha tese?
- De modo algum, nobre colega. Apenas sugiro que ampliemos nossa visão perante à complexidade de nosso objeto de estudo: a psiquê humana. Não pretendo fazer uma negação da importância dos estágios infantis (afinal, neles se dá todo um desenvolvimento psicológico e motor), mas observo que o que construímos na infância em termos de personalidade não é totalmente fixo e pode ser parcialmente modificado por experiências posteriores.
- Suas palavras são muito interessantes, Erikson, porém necessito de mais informações para assimilar melhor essa ideia. Como o senhor pretende conceber as fases do desenvolvimento que discutimos?
- Com muito prazer: a cada etapa, o indivíduo cresce a partir das exigências internas de seu ego, mas também das exigências do meio em que vive, sendo portanto essencial a análise da cultura e da sociedade em que vive o sujeito em questão. Em cada estágio o ego passa por uma crise.
- Uma crise?
- Sim, esta crise pode ter um desfecho positivo ou negativo. Da solução positiva, da crise, surge um ego mais rico e forte; da solução negativa temos um ego mais fragilizado.
- E qual a finalidade dessas “suas crises”?
- Pretendo explicar-lhe que, a cada crise, a personalidade vai se reestruturando e se reformulando de acordo com as experiências vividas, enquanto o ego vai se adaptando a seus sucessos e fracasssos.

Alguém poderia dar continuidade?

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