# A expansão das escolas no cenário das revoluções

- Canonical: https://logosgrafia.com/2012/06/01/a-expansao-das-escolas-no-cenario-das-revolucoes/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2012-06-01T18:04:09-03:00
- Modified: 2024-05-04T11:51:35-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: História da Educação, Pedagogia, Publicações, UFSCar

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Por: Paulo Ricardo Zargolin Refletir sobre a história da educação é sempre um exercício fabuloso. Desta vez, adentramos nas lutas sociais pela expansão das oportunidades escolares no século XVIII, no qual ocorreram as revoluções burguesas contra a nobreza feudal, levando ao poder a burguesia, classe economicamente dominante, que, então, passa a edificar o Estado Nacional. Também a revolução industrial acontece, determinando uma nova organização social do trabalho, inaugurando novas formas de vida em sociedade, com novos hábitos, nova organização (BITTAR, 2009, p. 57). Tanto a bandeira revolucionária da “igualdade, liberdade e fraternidade”, levantada com conflitos e contradições, quanto as demais revoluções do período influenciaram a educação, fazendo com que a escola passasse a ser mais importante nesse contexto. De acordo com Bittar (2009, p.59), a sociedade europeia assistia ao nascimento da fábrica e, portanto, de novas relações de trabalho que passaram a ter as cidades como palco. Sem dúvida, essas mudanças conceberam também o espaço para o surgimento da moderna instituição escolar pública. Mas, de modo geral, as mudanças estruturais inauguradas pela revolução industrial – que consolidou o modo de produção capitalista no mundo – foram responsáveis por produzir uma nova concepção de vida em sociedade, na qual a educação ocupava lugar de destaque. Para Franco Cambi (1999, apud BITTAR, 2009, p.60), a nova ordem resultante desse processo revolucionário criou um novo sujeito social, o homem-indivíduo, além de uma nova imagem do Estado e da economia. Como sabemos, fora, de fato, um século “reformador”, ao pôr em crise o Antigo Regime – por meio da afirmação de novas classes, de novos povos, de novos modelos de Estado e de governos e, também, da obra dos intelectuais que criaram o pensamento conhecido como Iluminismo. Sem dúvida, o século XVIII, culminou com o aparecimento de novos sujeitos da educação: as mulheres e o povo,em especial. Naspalavras de Bittar, “para elas, foi reconhecido o direito a uma educação específica, que não desfigurasse o seu universo moral”; para o povo, procurava-se uma instrução que “o libertasse das condições de atraso e marginalidade psicológica e cognitiva” e que, no âmbito social, lhe atribuísse um papel mais respeitável. (BITTAR, 2009, p. 61). É impossível falar sobre este século sem destacar o processo de laicização da educação, que cada vez foi mais subtraída do poder eclesiástico e da influência religiosa. (idem, p. 62). Essa renovação, de acordo com Cambi (1999, apud BITTAR, 2009, p.62), se realizou nos seguintes níveis: 1) no nível da organização, dando vida a um “sistema escolar” orgânico e submetido ao controle público (…) 2) no nível dos programas de ensino, acolhendo as novas ciências, as línguas nacionais, os saberes úteis e afastando-se nitidamente do modelo humanístico de escola; 3) no nível da didática, dando lugar a processos de ensino bastante inovadores, mais científicos (Condillac), mais empíricos (Locke, Rousseau), ou mais práticos (Pestalozzi). É interessante o destaque dado por Bittar às palavras de Cambi, porque o autor sintetiza muito bem o fato de que a escola contemporânea, “com suas características públicas, estatais e civis, com sua estrutura sistemática, com seu diálogo com as ciências e os saberes em transformação”, realmente nasceu no século XVIII. Penso que a autora nos convida a fazer reflexões intensas, ao trazer citações e um texto tão bem polido. Digo isto, pois ela nos fala sobre a difusão da cultura como processo de crescimento democrático coletivo. Algo que perdura até hoje, ainda que implícito em experiências intrínsecas. Por conseguinte, precisamos desse conhecimento para entendermos como as escolas foram estatizadas, deixando de lado as características religiosas, que embora tiveram importante função para a espiritualidade, impediram, até certo período, o avanço da ciência. De posse desse novo contexto apresentado por Bittar, é possível refletir sobre como encontraremos as salas de aula hodiernas e como nos tornaremos pensadores para a melhoria constante da educação. REFERÊNCIA BITTAR, Marisa. História da educação : da antiguidade à época contemporânea — São Carlos : EdUFSCar, 2009. – p. 57-80.
