# Herbart e a Pedagogia Tradicional

- Canonical: https://logosgrafia.com/2012/06/01/herbart-e-a-pedagogia-tradicional/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2012-06-01T21:01:51-03:00
- Modified: 2026-08-28T08:51:38-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: Matrizes Teóricas do Pensamento Pedagógico, Pedagogia, Publicações, UFSCar

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[Leia também “O eterno caminho da Educação: reflexão sobre Pedagogia Geral” ](https://logosgrafia.com/2025/01/13/o-eterno-caminho-da-educacao-reflexao-sobre-pedagogia-geral/) A psicologia passou a ser o ponto central da teoria educacional, a qual, através da filosofia da mente, Herbart dedicou mais atenção, inclusive, tendo a influência de seu amigo Pestalozzi. A Alemanha estava num cenário repleto de novos pensadores, e o filósofo elaborou sua Pedagogia com o papel de “ciência da educação”. Nas palavras de Oliveira (2009, p. 49), tal concepção deveria ser entendida como um “instrumento para resolver os problemas sociais e desenvolver culturalmente o ser humano”. Para o filósofo, a instrução deveria ser fundamentada na tríade formada por um conjunto de regras externas a ser mantido pelo governo, a condução pelo interesse da própria instrução educativa, e com disciplina para fortalecer a autodeterminação. Herbart via na instrução a fonte da aprendizagem, pois não acreditava na existência das faculdades inatas. Sua maior contribuição à Pedagogia, portanto, manifesta-se em sua teoria conhecida como “passos formais”. Tais passos são constituídos por: · Preparação: atividade que o professor desenvolve na medida em que recorda ao aluno o assunto anteriormente ensinado; · Apresentação: exposição dos conteúdos a serem aprendidos de forma clara e de fácil entendimento; · Associação: correlação que os alunos deverão ser convidados a fazer com o conhecimento precedente à exposição do novo conteúdo; · Generalização: criação de leis e regras que possibilitem o entendimento geral do aluno; · Aplicação: práxis das regras criadas e estabelecidas no passo anterior. Esses passos “apresentam uma sequência didática para o ensino de qualquer conteúdo, seguindo uma estruturação lógica, apoiada na razão, em consonância com o pensamento dos filósofos da sua época e com o movimento humanista preocupado em criar o homem capaz de autodeterminar”. (OLIVEIRA, 2009, p 50). A maior crítica sofrida pelo autor, no entanto, versa a respeito de as crianças e suas necessidades não aparecerem em seu discurso. Por isso, pelo que se pode inferir na leitura de nosso texto-base, os Educadores do movimento da Escola Nova (no século XX) passaram a considerar suas ideias ultrapassadas. Como observamos nos argumentos de Oliveira (2009, p. 51), “não existe um único pensador ou uma teoria pedagógica que esteja na base dessa concepção”, mas a autora cita algumas características que nos fazem refletir sobre processos imutáveis (ou pouco flexíveis) na educação: • A centralidade da instrução, ou seja, a preocupação com a formação intelectual; • O professor como figura central da escola e que detém os conhecimentos considerados como os únicos verdadeiros e válidos; • A função da escola é a transmissão dos conhecimentos acumulados pela humanidade; • O papel do aluno é assimilar esses conhecimentos, memorizando-os, e devolvê-los em tarefas escolares, provas e exames. (OLIVEIRA, 2009, p. 52). Com a finalidade de marcar a novidade das propostas que começaram a ser veiculadas em relação ao que se fazia na época, a “pedagogia tradicional”, Segundo Saviani, apud Oliveira (2009, p.52): […] subsume correntes pedagógicas que se formularam desde a Antigüidade, tendo em comum uma visão filosófica essencialista de homem e uma visão pedagógica centrada no educador (professor), no adulto, no intelecto, nos conteúdos cognitivos transmitidos pelo professor aos alunos, na disciplina, na memorização. Distinguem-se, no interior dessa concepção, duas vertentes: a religiosa e a leiga. Faz-se necessário entender, porém, que a pedagogia tradicional é representada por práticas educacionais que persistem no tempo em suas diferentes formas, assim como expõe Oliveira em nosso texto-base. Outro ponto importante na tessitura de Oliveira é a noção trazida pelas exemplificações de que “sem acionar os mecanismos de compreensão que ligam o novo ao antigo, o desconhecido ao conhecido, perde-se o significado e o ensino veicula apenas informações desconexas no ponto de vista de quem aprende” (OLIVEIRA, 2009, p. 54). Entretanto, para suprir as necessidades acima expressas, procurou-se elaborar manuais que seguiriam uma diretriz que visava modificar o papel pedagógico do livro. “Este, em lugar de ser um material didático destinado à utilização dos alunos, se converte num recurso decisivo para uso do professor, contendo um modelo de procedimentos para a elaboração de atividades, cujo ponto de partida era a percepção sensível”. Assim, em uma época em que o acesso às informações não era tão disseminado nas escolas, “os conteúdos de ensino eram por vezes reduzidos à memorização de definições, enunciados de leis, sínteses e resumos”. Mas, como propõe a autora, devemos pensar sobre o fato de isso ainda constituir-se uma prática contemporânea. De fato, a reflexão dos alunos não está sendo trabalhada de forma totalmente satisfatória. Logo, a formação do professor também deve ser incrustada na atuação reflexiva, para que as veredas do ensino sejam enfeitadas com pensamentos construídos em parceria, deixando de lado à memorização que não permite a beleza da caminhada ou a construção de pontes necessárias à continuação da trilha do saber. REFERÊNCIAS OLIVEIRA, Rosa Maria Moraes Anunciato de. Ensino e aprendizagem escolar : algumas origens das ideias educacionais. EdUFSCar, São Carlos, 2009.
