# Algumas visões inadequadas da ciência

- Canonical: https://logosgrafia.com/2014/06/27/algumas-visoes-inadequadas-da-ciencia/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2014-06-27T15:19:31-03:00
- Modified: 2015-02-11T14:32:26-02:00
- Language: pt-BR
- Categories: Ciências Naturais, Pedagogia, Publicações, UFSCar

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Por: Paulo Ricardo Zargolin Uma das distorções em relação a natureza da ciência que se pode considerar como a mais perigosa é a visão individualista e elitista da ciência, onde os conhecimentos científicos aparecem como obras de gênios isolados e seus resultados são capazes de confirmar ou refutar uma teoria. Aqui, para que não ocorram problemas, deve-se considerar que o trabalho de cada um é orientado pelas linhas de investigação estabelecidas, pelo trabalho de equipe, que é necessário um esforço para tornar a ciência acessível e mostrar seu caráter de construção humana. Há também a concepção que enfatiza o papel neutro da observação e da experimentação, que seria pautada em uma visão empírico-indutivista e ateórica. Nessa abordagem, há uma deformação, por não se destacar a influência de ideias apriorísticas e se atribui à essência da experimentação a de ‘descoberta’ científica. Seria esta, portanto, uma imagem, ingênua da ciência, socialmente disseminada e aceita. Há uma visão rígida da ciência (algorítmica, exata e infalível), em que se sugere um procedimento de regras definidas e mecânicas do método científico, destacando um tratamento quantitativo. Esta é uma imagem amplamente difundida entre os professores. Entretanto, é sabido que há uma grande variedade de métodos e é necessário considerar a inclusão da criatividade no processo de construção do conhecimento. Tratando-se de uma concepção que o ensino de ciências reforça por omissão, temos a ciência aproblemática e ahistórica – portanto dogmática e fechada – em que os conhecimentos já elaborados são transmitidos, sem demonstrar os problemas que lhe deram origem, sua evolução e as dificuldades encontradas. Há ainda a compreensão exclusivamente analítica, em que prevalece a visão fragmentada da ciência. Este tipo de distorção aparece principalmente entre professores e livros didáticos. É necessário considerar os processos de  unificação como uma característica  fundamental da evolução dos conhecimentos científicos na educação científica, como por exemplo, no caso da biologia, o evolucionismo. Há a distorção onde o conhecimento científico é apresentado de forma simplista, em uma concepção acumulativa de crescimento linear da ciência. Nesta concepção, o ensino reforça a visão linear, uma vez que não mostra como os conhecimentos foram construídos. Para que isso não ocorra é necessário considerar os confrontos e os processos de mudança ocorridos na História da Ciência nos processos de ensino. E, por fim, a visão socialmente neutra da ciência, esquecendo-se as complexas relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Está é uma deformação, pois sabemos quão importante se faz compreender o caráter social do desenvolvimento científico, influenciado pelos problemas e circunstância do momento histórico. Do mesmo modo, a ação dos cientistas tem uma forte influencia sobre o meio físico e social em que se insere. OBRAS CONSULTADAS OLEQUES, L. C. et al. Reflexões acerca das diferentes visões sobre a natureza da ciência e crenças de alunos de um curso de Ciências Biológicas. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v. 12, n.1, p. 110-125, 2013. Disponível [aqui](https://logosgrafia.com/wp-content/uploads/2014/06/oleques.pdf). Acesso em: 14 abr. 2014. PÉREZ, D. G. et al. Para uma imagem não deformada do  trabalho científico. Ciência & Educação, v.7, n.2, p.125-153, 2001. Disponível [aqui](https://logosgrafia.com/wp-content/uploads/2014/06/perez-trad.pdf). Acesso em 13 abr. 2014. PÉREZ, D. G. et al. Visiones deformadas de la ciencia transmitidas por la enseñanza. Enseñanza de las Ciencias, v. 20, n. 3, p. 477-488, 2002. Disponível [aqui](https://logosgrafia.com/wp-content/uploads/2014/06/perez-orig.pdf). Acesso em: 14 abr. 2014.
