# O perfil e a bagagem cultural do estudante de EJA

- Canonical: https://logosgrafia.com/2016/02/28/o-perfil-e-a-bagagem-cultural-do-estudante-de-eja/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2016-02-28T19:16:21-03:00
- Modified: 2024-04-24T22:31:18-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: Organização da Prática Docente na EJA, Pedagogia, Publicações, UFSCar

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Por: Paulo Ricardo Zargolin Mesmo após o fim da ditadura militar e o surgimento de novas e revolucionárias tecnologias, a relação opressor-oprimido ainda é constante. Exemplo disso é a exclusão social que é vivida por grande número de brasileiros, que, segundo Mello (2005) provoca e inclui a exclusão escolar, e revela-se nos percursos das pessoas jovens e adultas analfabetas. Nesse contexto, o conhecimento escolar é utilizado como medida de inteligência e competência das pessoas, desqualificando os sujeitos que não o dominam, ou cuja cultura não lhe é semelhante. Dessa maneira, a escola pode ser uma instituição que causa mal-estar, um espaço que contém interações que provocam exclusão ou autoexclusão, incluindo-se as interações pedagógicas. Temos na EJA um aluno que, por motivos diversos, não pôde concluir o ensino básico no tempo considerado adequado e, agora, propõe-se a recuperar o passado, retomando seus estudos. Acredita-se, no entanto, que alguém com esse perfil têm outras necessidades que vão além de aprender a ler e calcular. Trata-se de um aluno jovem/adulto que possui vivências, tendo frequentado diferentes espaços e conhecido diversas formas de relacionamentos e, que, provavelmente, ao deparar-se com diversas situações-problemas ao longo da vida, formulou resoluções mesmo sem contato com um conhecimento sistematizado. Conforme vimos com Lasaretto (2015), a bagagem cultural desse público é vasta e, assim sendo, infere-se que tal arcabouço deve ser amplamente aproveitado no processo de ensino e aprendizagem.  Além disso, conhecer as motivações dos alunos, sua história e sua realidade são pontos fundamentais que auxiliam no planejamento das aulas com vistas a valorizar os conhecimentos prévios de cada sala. Desconsiderar a bagagem do alunado implicaria em cortar possibilidades riquíssimas de construção de conhecimento ou mesmo de fazer com que o indivíduo se perceba no mundo de maneira ativa. Então, a reflexão sobre o para quê ensinar e sobre quais são as vivências e necessidades dos estudantes precisa ser uma constante na vida do profissional que atua na EJA. Nesse sentido, Freire (1992) salienta a imperiosidade de que os docentes construam uma postura dialógica e dialética, não mecânica, trabalhando o processo ensino e aprendizagem, fundamentado na consciência da realidade vivida pelos educandos, jamais o reduzindo à simples transmissão de conhecimentos. Frente à bagagem prévia dos educandos, resultado de suas interações, experiências e vivências, acredita-se que o educador deve fugir de uma prática metodológica sustentada na educação bancária. Por conseguinte, é imprescindível que o professor consiga levar os estudantes a participar constantemente de cada ação educativa, interagindo ativamente com os outros e com o meio, permitindo reflexões e a busca por soluções transformadoras, e, assim, deixando a condição de oprimidos ou excluídos. REFERÊNCIAS FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. 245p. LASARETTO, L. N. Podcast: o perfil do educando da EJA. [Disponível para alunos da UFScar](http://ead2.sead.ufscar.br/mod/resource/view.php?id=118753). Acesso em 15 set. 2015. MELLO, R. R. de. Aprendizagem dialógica: base para a alfabetização e para a participação. Cadernos de Extensão, v. 1, n. 2. Boa Vista: Editora da UFRR, 2005. Disponível [aqui](http://ead2.sead.ufscar.br/mod/resource/view.php?id=132623). Acesso em 15 set. 2015.
