# A Volta do Parafuso

- Canonical: https://logosgrafia.com/2025/01/13/a-volta-do-parafuso/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2025-01-13T12:19:46-03:00
- Modified: 2026-04-09T14:06:33-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: -Livros, Acervo, Publicações

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Em A Volta do Parafuso, Henry James tece um tapete de sombras, onde cada fio de luz é cuidadosamente entrelaçado ao abismo do não dito. A obra não é apenas uma narrativa de fantasmas; é uma arquitetura do impalpável, onde o medo e a dúvida são os verdadeiros protagonistas. [baixe o livro](https://drive.google.com/uc?export=download&id=1J98eYy0H4GYE3z4rRVJEIarRd4u8gQaJ) James manipula a linguagem como um artesão do invisível, conduzindo o leitor por uma mansão de corredores escuros, onde cada porta entreaberta é uma promessa de revelação e cada sombra, um convite à introspecção. Não há certezas em Bly, e essa é precisamente sua genialidade. A ambiguidade é o eixo que mantém o parafuso girando, apertando nossas convicções e alargando as fissuras do nosso entendimento. A preceptora, com sua voz narradora envolta em brumas, é mais do que um personagem: é uma alegoria de nosso próprio olhar vacilante sobre o mundo. Representa o humano dividido entre o desejo de compreender e o temor de descobrir. Em sua relação com as crianças, Miles e Flora, James subverte a idealização da inocência, expondo uma tensão que parece pulsar abaixo da superfície. O que essas crianças realmente sabem? O que elas escondem sob a máscara de angelical perfeição? A resposta é um reflexo do leitor, que, ao se deparar com essas questões, inevitavelmente encara as próprias sombras. Peter Quint e Miss Jessel, por sua vez, são espectros que ecoam mais do que gritos do além; eles reverberam os anseios e transgressões sufocados por uma sociedade vitoriana em crise. São espelhos distorcidos de nossos impulsos, transformados em aparições. Quint, com sua presença predatória, e Jessel, uma figura trágica e sensual, não são apenas fantasmas para a preceptora – são projeções de suas próprias aspirações e medos, um lembrete de que o maior terror reside dentro de nós mesmos. A mansão Bly, com sua geografia mítica, não é apenas um espaço físico. É um microcosmo onde a mente da preceptora e, por extensão, a nossa, se perde. Cada torre, cada corredor, cada janela é um fragmento do quebra-cabeça emocional que James nos desafia a montar, sabendo que a figura final jamais será revelada. Em última análise, A Volta do Parafuso transcende o gênero. Não é apenas uma história de terror psicológico, mas uma ode à literatura como um espaço de possibilidades infinitas, onde a verdade é maleável e o significado, um parafuso que jamais para de girar. É um convite à inquietação, à leitura atenta e à rendição ao mistério. Henry James não escreve para nos confortar; escreve para nos perturbar, para nos confrontar com nossas contradições e para lembrar-nos de que, no mundo da literatura, assim como na vida, as respostas são tão elusivas quanto os fantasmas que as povoam. [baixe o livro](https://drive.google.com/uc?export=download&id=1J98eYy0H4GYE3z4rRVJEIarRd4u8gQaJ)
