# O mínimo como projeto de existência

- Canonical: https://logosgrafia.com/2026/06/05/o-minimo-como-projeto-de-existencia/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2026-06-05T20:00:00-03:00
- Modified: 2026-06-05T15:26:52-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: Crônicas Zargolinianas, Letras, Pedagogia e outras ciências, Publicações

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O mínimo protege do erro, mas raramente conduz alguém à própria grandeza. Por: Paulo Ricardo Zargolin Há pessoas que fazem apenas o mínimo. Entregam o que foi pedido, cumprem o horário, assinam onde mandaram assinar e vão embora com a serenidade dos que confundem ausência de falta com presença de mérito. Não falo dos cansados — estes merecem repouso e delicadeza. Falo dos que transformaram o mínimo em filosofia. É uma curiosa estética da escassez moral. Faz-se o mínimo para não ser cobrado. Lê-se o mínimo para ser aprovado. Estuda-se o mínimo para permanecer. E, aos poucos, sem perceber, vive-se o mínimo para existir. O problema do mínimo é que ele quase sempre vem fantasiado de prudência. “Pra que mais?” “Já não basta?” “Isso não é atribuição minha.” Frases assim parecem inocentes, mas às vezes escondem um apequenamento voluntário diante da própria potência. Curioso como essa lógica invade até a [formação](https://logosgrafia.com/category/em-bom-portugues/). Há quem pergunte quantas disciplinas precisa cursar para cumprir carga horária, como quem mede o conhecimento com trena burocrática. Mas aprender não foi feito para caber em exigência. Conhecimento não é pedágio. É expansão. Sempre me intrigou ver profissionais orgulhosos por terem feito só o obrigatório, como se o mínimo fosse uma medalha e não um piso. Porque o mínimo protege, sim. Mas raramente transforma. E talvez o desenvolvimento humano comece exatamente quando alguém suspeita que cumprir não é o mesmo que crescer. Não se trata de fazer mais por produtivismo, essa religião moderna da exaustão. Trata-se de não aceitar que o necessário seja também o desejável. Há uma diferença entre limite e estreiteza. Uma é humana. A outra é escolha. E talvez toda formação verdadeira comece quando alguém, diante do cálculo do indispensável, ousa perguntar: e se eu aprendesse além? [](https://logosgrafia.com/category/cronicas-zargolinianas/)Mais crônicas, [aqui](https://logosgrafia.com/category/cronicas-zargolinianas/). [](https://logosgrafia.com/category/acervo/)Consulte o acervo, [aqui](https://logosgrafia.com/category/acervo/). [](https://logosgrafia.com/)Volte ao início, [aqui](https://logosgrafia.com/).
