# Imaginar continua sendo verbo humano

- Canonical: https://logosgrafia.com/2026/08/06/imaginar-continua-sendo-verbo-humano/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2026-08-06T19:00:00-03:00
- Modified: 2026-07-31T13:04:59-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: Pedagogia, Pedagogia e outras ciências, Publicações, Vozes

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Por Arielly Rocha Rodrigues e Steffani Isabeli de Souza Texto produzido coletivamente durante a formação realizada no CEI Ana Souto Trevisan, em 8 de julho de 2026, e preparado para publicação no projeto [VOZES](https://logosgrafia.com/comunidade/vozes/). As tecnologias podem ampliar a criatividade da educadora quando são compreendidas como ferramentas de apoio, e não como substitutas do pensamento. Na Educação Infantil, imaginar, interpretar e criar continuam sendo ações profundamente humanas, ligadas ao olhar sensível de quem convive com as crianças e acompanha suas descobertas. A inteligência artificial pode sugerir caminhos, reorganizar ideias e ampliar repertórios, mas não ocupa o lugar de quem observa o cotidiano e transforma essas observações em propostas pedagógicas. Como sugere o texto [Operador de imaginação](https://logosgrafia.com/2026/05/12/operador-de-imaginacao/), a tecnologia ganha sentido quando existe uma pessoa capaz de conduzi-la, questioná-la e decidir o que fazer com as possibilidades apresentadas. Quando usada com intencionalidade, a tecnologia pode colaborar na organização de referências, na sistematização de registros, na elaboração de materiais e na ampliação de hipóteses para o planejamento. Isso não significa delegar à máquina a criação do trabalho docente, mas aproveitar seus recursos para qualificar o percurso de quem ensina. O centro do processo continua sendo a educadora, que conhece seu grupo, reconhece as singularidades das crianças e decide o que faz sentido em cada contexto. É ela quem seleciona os recursos, define os objetivos e adapta as possibilidades às experiências vividas. Na prática, a criatividade docente não nasce de comandos prontos, mas do encontro entre experiência, escuta e reflexão. A educadora imagina porque observa; interpreta porque compara, analisa e sente; cria porque articula repertório, intuição e conhecimento pedagógico. Mesmo quando recorre à tecnologia, é ela quem escolhe o foco, acolhe o inesperado e reorganiza o percurso. A ferramenta pode abrir portas, mas quem atravessa, seleciona e atribui significado ao que encontra é a pessoa que ensina. Também é importante lembrar que a inteligência artificial depende das informações que recebe. Um pedido superficial tende a produzir uma resposta igualmente superficial. Quando a educadora apresenta observações, objetivos, critérios e perguntas reais, a devolutiva pode se tornar mais útil e coerente com sua prática. Isso demonstra que a qualidade do uso tecnológico está diretamente ligada à qualidade do olhar humano que o orienta. A máquina processa informações, mas não convive com as crianças, não percebe seus gestos e não reconhece, sozinha, aquilo que mobiliza cada grupo. A tecnologia pode, portanto, ser uma aliada valiosa da prática pedagógica, desde que permaneça em seu devido lugar: como apoio. A imaginação docente não é algo que se terceiriza. Ela se alimenta da convivência com as crianças, da sensibilidade diante das experiências e da autoria construída no fazer cotidiano. A máquina pode colaborar com o caminho. A criação, porém, continua sendo uma operação humana. Continue a reflexão: [A grande mentirosa](https://logosgrafia.com/2025/06/13/a-grande-mentirosa/) [Entre o esforço e a escolha](https://logosgrafia.com/2026/04/17/entre-o-esforco-e-a-escolha/)
