# A Matadora de Tigrinhos #14

- Canonical: https://logosgrafia.com/2026/09/30/a-matadora-de-tigrinhos-14/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2026-09-30T20:00:00-03:00
- Modified: 2026-08-31T17:05:08-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: A Matadora de Tigrinhos, Logosgrafia em séries, Publicações

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A Matadora de Tigrinhos ## Aposte nesta história Quatorze números. Quatorze capítulos. Escolha onde entrar — ou onde arriscar mais uma vez. [ 01 aberto ](https://logosgrafia.com/?p=12108) [ 02 ](https://logosgrafia.com/?p=12116) [ 03 ](https://logosgrafia.com/?p=12128) [ 04 ](https://logosgrafia.com/?p=12356) [ 05 ](https://logosgrafia.com/?p=12361) [ 06 ](https://logosgrafia.com/?p=12368) [ 07 ](https://logosgrafia.com/?p=12373) [ 08 ](https://logosgrafia.com/?p=12390) [ 09 ](https://logosgrafia.com/?p=12401) [ 10 ](https://logosgrafia.com/?p=12405) [ 11 ](https://logosgrafia.com/?p=12410) [ 12 ](https://logosgrafia.com/?p=12413) [ 13 ](https://logosgrafia.com/?p=12416) [ 14 ](https://logosgrafia.com/?p=12424) 01 Você continua chorando bonito 17/09 17 a 30 de setembro de 2026 Capítulo 14 ## Eu sou a Matadora de Tigrinhos A pasta abriu. Havia um único arquivo. conteúdo do dispositivo ZIP vidamelhor.zip criado13 anos atrás última modificaçãosemana do desaparecimento da Aurora tamanhopequeno assinaturanenhuma verificaçãonenhuma ameaça encontrada Bóris não tocou imediatamente. O nome parecia antigo. Ingênuo até para os padrões das empresas que Nivalda criava para não existir. Vida Melhor poderia ter sido uma financeira, uma administradora de benefícios ou uma sala com oito máquinas de caça-níqueis atrás de uma loja de colchões. Ele abriu as propriedades. O arquivo havia sido criado treze anos antes e modificado pela última vez na mesma semana em que a Aurora começou a desaparecer dos registros. Tamanho pequeno. Nenhuma assinatura. Nenhuma ameaça encontrada. Bóris tornou a verificar. O resultado não mudou. Extraiu o conteúdo para uma pasta temporária. conteúdo extraído ▦planilhas ▤empresas antigas ▣RECUPERAR_BACKUP Surgiram planilhas, arquivos com nomes de empresas antigas e um programa chamado RECUPERAR_BACKUP. Bóris entendeu o que estava vendo. Melinda não mandara destruir contratos. Mandara destruir uma forma de encontrá-los. Bóris abriu o programa. RECUPERAR_BACKUP LOCALIZAR DIRETÓRIO ADMINISTRATIVO diretório principal configurado CONTINUAR PREPARANDO CÓPIA… Uma janela cinza ocupou o centro da tela. O campo já estava preenchido com o caminho usado pelo sistema principal. Ele hesitou. Na tela ao lado, Tigresa falava em português com um homem que depositara mais três vezes durante a madrugada. Outra versão tentava convencer uma mulher no México a permanecer na transmissão por mais cinco minutos. Bóris clicou em CONTINUAR. A janela informou: Ele esperou. O vídeo de Luciana apareceu no perfil da Casa Recomeço às três e quarenta e sete da tarde. Durante os primeiros segundos, ninguém na sala de comunicação respirou direito. Olívia acompanhava o carregamento pelo computador. Nina segurava o telefone. Melinda permanecia perto da porta, longe o suficiente para não aparecer no reflexo da tela. Luciana estava sentada entre as duas. — Meu nome é Luciana — começou a mulher do vídeo. Casa Recomeço vídeo 10 mil+ visualizações Você está sendo usada. Finalmente falou a verdade. Cadê a Melinda? Kadu merece desculpas. Isso é campanha. A Luciana da sala fechou os olhos por um instante. — Ainda dá para apagar — disse Olívia. — Não dá — respondeu ela. — Tecnicamente, dá. — Então não dá tecnicamente. Olívia soltou o mouse. No vídeo, Luciana continuou: — Nos últimos dias, muita gente ouviu um áudio em que eu dizia que a vingança não curava o que a vergonha destruiu. Eu não disse aquilo. Se tivesse dito, provavelmente teria escolhido palavras piores. Nina olhou para ela. Luciana manteve os olhos fechados. — Só que uma frase falsa pode incomodar pelo motivo certo. Eu voltei querendo que o mundo enxergasse Melinda como eu enxergava. Tinha razões. Ainda tenho algumas. Ela participou de negócios ilegais, protegeu o próprio nome e deixou que o meu recebesse quase tudo quando a operação caiu. O número de visualizações passou de dez mil. — Eu também participei. Abri empresas, assinei contratos, recrutei gente e ganhei dinheiro. Depois que fui presa, contei essa história durante treze anos. Contei o que fizeram comigo. A parte em que eu também fazia aquilo ficou sempre um pouco menor. Luciana abriu os olhos na sala. Melinda não se moveu. — Quando decidi falar publicamente, contratei Kadu Vilar para produzir uma entrevista. Eu paguei. Ele aceitou. Nós dois escondemos essa informação porque a verdade parecia mais convincente sem ela. Depois, ele encontrou coisas que não faziam parte do trabalho e continuou quando já não havia contrato, agência ou motivo inteligente para continuar. Olívia olhou para Nina. — Motivo inteligente foi pessoal — disse. — Fica quieta — respondeu Luciana. No vídeo, ela demorou antes de seguir. — Passei muito tempo esperando Melinda admitir primeiro. Era justo. Também era confortável. Enquanto ela não dissesse tudo, eu podia continuar contando a minha metade. Os comentários já subiam depressa demais. Você está sendo usada. Finalmente falou a verdade. Cadê a Melinda? Kadu merece desculpas. Isso é campanha. — Eu não gravei isto para pedir que esqueçam o que aconteceu. Também não sei se perdoei alguém. Hoje eu consigo dizer apenas que a vingança não devolveu os anos que perdi. Eu ainda gastei treze tentando contar minha responsabilidade pela metade. Luciana respirou diante da câmera. Atrás dela, uma folha caiu sobre o banco. O funcionário que esperava com a vassoura apareceu por um segundo no canto do enquadramento, percebeu e recuou. Olívia não havia cortado. — Se você perdeu dinheiro e está esperando recuperar antes de contar para a família, conte hoje. É assim que o jogo compra mais uma noite. Se você está tentando ajudar alguém, procure ajuda também. O medo faz a gente vigiar telefone, carteira, mentira, respiração. Daqui a pouco, ninguém dentro da casa consegue mais dormir. A voz falhou. Luciana levou alguns segundos para continuar. — A vergonha gosta de porta fechada. Abra uma. O vídeo terminou com o telefone da Casa Recomeço e os canais de atendimento. Nenhuma música entrou. Nenhum logotipo cobriu o rosto de Luciana. Olívia fechou a reprodução. — Oito minutos e vinte e três — disse. — Eu estava lá — respondeu Luciana. Nina atualizou a página. Cento e quarenta mil visualizações. Casa Recomeço 140 mil visualizações — Você quer que eu acompanhe os comentários? — perguntou. — Não. — Quer o telefone? — Também não. Luciana se levantou. — Quero descobrir se ainda há café nesta Casa. Melinda saiu da frente da porta. As duas passaram uma pela outra. Nenhuma disse nada. Kadu assistiu ao vídeo na recepção da agência. Havia chegado doze minutos antes e escolhido uma poltrona de onde conseguia ver a porta, o elevador e uma planta que parecia estar ali para provar que empresas pequenas também podiam esquecer de regar alguma coisa. Quando Luciana falou sobre o pagamento, ele abaixou o volume. Não porque alguém estivesse olhando. Duas pessoas estavam. Quando ela disse que ele continuara sem um motivo inteligente, Kadu encostou a cabeça na parede. Seu número de seguidores voltara a subir. Uma notificação informava que havia recuperado tudo o que perdera na semana. Outra chegou antes que ele decidisse como se sentia. seguidores recuperados +1 mil Mais mil seguidores. Kadu bloqueou a tela. A sócia da agência apareceu na porta. — Você chegou cedo. — Estou tentando causar uma primeira impressão inédita. Ela reconheceu Luciana na tela congelada. — Quer terminar? — Quero. — Eu perguntei do vídeo. Kadu levantou-se. — Também. A conversa durou trinta e quatro minutos. A agência tinha menos funcionários, contratos menores e perguntas que a anterior costumava deixar para depois da assinatura. Queria saber o que ele pretendia fazer com a repercussão, se voltaria ao programa sobre dinheiro e por que havia encerrado a transmissão chorando sem preparar uma miniatura. — A última parte eu também estou apurando — respondeu. Ao final, a sócia enviou uma proposta. PROPOSTA DE REPRESENTAÇÃO 1 / 26 26 / 26 — Não precisa responder hoje. — Ótimo. — Isso não significa responder no elevador. — Eu entendi. Kadu entrou no elevador e abriu o documento. Leu a primeira página. Depois a última. Havia vinte e seis páginas entre elas. Encaminhou para Nina. Nina Chegou a proposta. Não assinei. Milagre reconhecido e registrado. Olívia vai ler. 👍 A resposta veio antes que o elevador chegasse ao térreo. Kadu enviou um polegar para cima. Desta vez, apenas um. Abriu o endereço da Casa Recomeço. A barra chegou a cem por cento. A janela desapareceu. Bóris procurou os arquivos recuperados. A pasta continuava vazia. Abriu o programa outra vez. Nada aconteceu. Na tela ao lado, a transmissão em português congelou. Tigresa permaneceu com a boca aberta no meio de uma palavra. Bóris atualizou. A página voltou. Por dois segundos. Depois ficou branca. A versão em espanhol continuava ativa. A imagem mudou de rosto sem terminar a frase e perdeu o som. Ele abriu o painel principal. Uma linha vermelha atravessava a lista de servidores. Bóris digitou a senha. O sistema recusou. Tentou o autenticador que Melinda deixara sobre a mesa. O código apareceu. Também foi recusado. O telefone tocou. Era o administrador de uma das operações. — O que você fez? — Nada. — O comando veio do seu acesso. Bóris puxou o cabo do pen drive. — Derrube a rede. — Qual delas? Ele olhou para os monitores. Mais duas transmissões haviam desaparecido. — Todas. — Bóris, tem distribuição em andamento. — Derrube. Desligou. Retirou o cabo de internet do computador principal. A tela não parou de mudar. transmissão em português conexão instável PORTUGUÊScongelou ESPAÑOLrosto alterado · sem áudio SERVIDORACESSO EXPIRADO AUTENTICADORRECUSADO REDE LOCALINTERROMPIDA PORTUGUÊSonline ESPAÑOLonline ENGLISHonline OFFGRIDonline SERVIDORACESSO EXPIRADO autenticador RECUSADO CONEXÃO LOCAL INTERROMPIDA Os acessos caíam de dentro para fora. Kadu encontrou Luciana no jardim. O funcionário havia retomado a guerra contra as folhas. Ao ver Kadu atravessando a porta, apoiou a vassoura no banco e decidiu que precisava fazer alguma coisa do outro lado da Casa. Luciana segurava um copo de café. — Você não tem segurança? — perguntou. — A recepcionista me reconheceu. — Isso não responde. — Ela pediu uma foto. — Piorou. Kadu parou diante dela. — Eu vi o vídeo. — Bastante gente viu. — Eu não sou bastante gente. Luciana bebeu o café. Estava frio. Ela fez uma expressão ruim e bebeu outra vez. — A agência mandou uma proposta — disse Kadu. — Você assinou? — Encaminhei para a Nina e para a Olívia. Luciana ergueu os olhos. — Você obedeceu? — Não vamos tornar isso um hábito. — É uma agência boa? — Pequena. — Isso não é defeito. — Eu sei. Ela olhou para o copo. — Você veio me contar isso? — Não. — Veio cobrar desculpa? — Também não. — Ótimo. Eu ainda não preparei. Kadu sentou-se na outra ponta do banco. Luciana permaneceu em pé. — Eu falei sério na live — disse ele. — Eu sei. — Eu não devia ter deixado você ir. Luciana cruzou os braços. — Eu fui porque quis. — Eu sei. — Você não podia impedir. — Eu sei. — Então para de repetir como se fosse dono da porta. Kadu assentiu. — Está bem. Ela esperou. — O que você queria ter dito? — perguntou. Kadu olhou para as folhas reunidas perto do pé. Tinha ensaiado uma frase no caminho. No carro, funcionara. Ao entrar no jardim, perdera metade. Diante de Luciana, a outra metade pareceu material de campanha. — Eu queria que você ficasse. Luciana descruzou os braços. — Isso melhora. Kadu se levantou. Ela não recuou. O beijo começou com o cuidado de quem ainda não sabia onde colocar a culpa. Durou pouco. Luciana segurou a camiseta dele antes que se afastasse. O segundo durou mais. Quando terminou, Kadu olhou para a porta de vidro. Nina e Olívia estavam do outro lado. Olívia levantou o telefone. Luciana apontou para ela. — Se tirar foto, eu processo. Olívia guardou. — Ela ouviu — disse Kadu. — Era o objetivo. — Você fala assim depois de todo beijo? — Nunca precisei repetir tanto uma ameaça. Kadu sorriu. Luciana sentou-se no banco. Desta vez, perto dele. Nina encontrou Melinda no escritório. A irmã estava diante do computador. Não o de casa. O da Casa Recomeço, já conectado ao novo servidor que Joana e a equipe haviam configurado naquela tarde. — A Joana confirmou que o acesso externo caiu — disse Melinda. — Os prontuários estão sendo transferidos. — Eu não vim perguntar isso. Melinda retirou as mãos do teclado. Nina fechou a porta sem trancar. — Eu não abri a pasta. — Eu sei. — Como? — Você não teria esperado até hoje. Nina encostou-se à porta. Havia tentado encontrar uma maneira menos direta de perguntar. A pergunta piorava toda vez que ganhava palavras novas. — Você e mamãe tinham negócios escusos? Melinda quase sorriu. Quase. — Escusos? — Foi o que consegui. — Tínhamos. Nina assentiu uma vez. — O que ela tinha? — Bóris chamava de Cassinos de Nivalda. Eles mudavam de nome antes de a gente conseguir chamar de alguma coisa. — Bóris? — O funcionário externo. Meu ex-funcionário. — Ela era dona? — De alguns. Em outros, cuidava do dinheiro. Tinha salas, máquinas e gente recolhendo aposta em lugar que não aparecia em mapa. Depois vieram os sites. — E você? — Eu aprendi com ela. A resposta saiu sem defesa. Nina olhou para o computador. — Ela te adotou para isso? — Não. — Tem certeza? Melinda recebeu a pergunta. — Tenho certeza de que ela me amava. Não tenho como saber quantas utilidades enxergou em mim depois. Nina puxou uma cadeira, mas não sentou. — Ela era uma pessoa ruim? Melinda olhou pela janela do escritório. No jardim, Luciana e Kadu ocupavam o mesmo banco. O funcionário havia abandonado a vassoura junto à parede. — Ela era nossa mãe — disse. — Também ganhou dinheiro destruindo gente que nunca conheceu. Uma coisa não impediu a outra. Nina finalmente sentou-se. — Ela te pediu alguma coisa antes de morrer? Melinda tornou a olhar para ela. — Você usa a data da adoção como senha — continuou Nina. — Tem uma pasta com o nome dela. Desde que eu era pequena, você fala da mamãe como se ela tivesse deixado alguma tarefa para você terminar. Melinda baixou os olhos. Nina esperou. — No hospital, ela me pediu para cuidar de você — disse. — E para nunca deixar os negócios chegarem ao seu nome. — Você prometeu. — Prometi. — Cumpriu? Melinda levou algum tempo. — Seu nome nunca apareceu em empresa, contrato ou conta. — Não foi o que eu perguntei. — Não. Nina apertou os dedos contra o joelho. — Eu cresci com aquele dinheiro. — Cresceu. — A Casa também. — Sim. — Então você me manteve fora do papel. Melinda assentiu. — Foi a forma mais fácil de chamar de proteção. Nina levantou-se e foi até a janela. Não chorou. Melinda teria sabido lidar com choro. Aproximar uma cadeira, buscar água, encontrar uma frase que não resolvesse nada, mas ajudasse a atravessar o minuto. Nina permaneceu em pé. — Ela dizia alguma coisa — continuou Melinda. — Sempre que eu perguntava como a gente podia viver em casa e fazer aquilo fora. Nina não se virou. — O quê? — Cada coisa no seu lugar. Melinda olhou para a mesa. — Família em casa. Dinheiro nas empresas. Risco no nome de quem pudesse cair. Eu organizei minha vida inteira dentro dessa frase. — E a Casa ficava onde? — No lugar que eu chamava de bom. — Funcionou? Melinda olhou para a porta. — Até as gavetas começarem a abrir. Nina tornou a encará-la. — O que tem em CONTRATOS NIVALDA? — Coisas dela. Coisas minhas. Contratos que continuaram pagando quando eu já dizia que não administrava mais nada. Alguns eu guardei para saber o que precisava encerrar. Outros porque ainda recebia. — Você vai me mostrar? — Vou. — Tudo? Melinda abriu a boca. Nina ergueu a mão. — Pensa bem. — Tudo. Nina assentiu. Não a abraçou. Também não saiu. Melinda abriu o computador. Antes que digitasse a senha, Kadu bateu duas vezes e entrou. Luciana apareceu atrás dele. — O Jogo da Tigresa caiu — disse. Bóris havia perdido onze acessos quando a Offgrid deixou de responder. No início, apareceu apenas uma mensagem de manutenção. Depois o painel interno o expulsou. Ele telefonou para Helena. Chamou até cair. Tentou a holding. Um homem atendeu falando inglês rápido demais e pediu que ele não acessasse mais nenhum sistema. — Eu administro esses sistemas. — Administrava — respondeu o homem. A ligação terminou. Bóris tornou a encaixar o cabo de internet. O computador abriu uma sequência de janelas vazias. As pastas ainda apareciam, mas os arquivos não. Os espelhos de Tigresa devolviam erros em português, espanhol e inglês. Uma transmissão continuava aberta no celular. A mulher de olhos dourados sorriu, começou a dizer que ninguém precisava terminar o dia sozinho e desapareceu antes de terminar. A tela ficou preta. Bóris olhou para o pen drive sobre a mesa. NÃO USAR. Pegou o telefone. Ligou para Melinda. Na sala de comunicação, Olívia abriu a página do Jogo. Erro. Nina tentou pelo telefone. Erro. Kadu enviou o endereço para dois contatos. Um respondeu com a captura de uma tela branca. O outro perguntou se aquilo tinha relação com o vídeo de Luciana. — Não tem — disse Melinda. — Ele não perguntou para você — respondeu Luciana. — Eu sei que não tem. Nina abriu um dos espelhos que apareciam no relatório de Bóris. Fora do ar. Depois outro. Também. — Os dezessete? — perguntou. Melinda digitou endereços. Alguns nunca haviam aparecido publicamente. Nenhum abriu. Olívia atualizou o perfil da Casa. Os comentários do vídeo haviam mudado. Elas se uniram e derrubaram a Tigresa. A MATADORA E LUCIANA JUNTAS. O vídeo que acabou com o Jogo. Uma montagem mostrava Luciana no jardim, Melinda em uma entrevista antiga e Tigresa desaparecendo numa nuvem de fumaça. — Já fizeram efeito — disse Olívia. — Faz quatro minutos — respondeu Nina. — Foi tempo demais. Kadu abriu as tendências. MATADORA DE TIGRINHOS aparecia em primeiro lugar. Luciana vinha logo abaixo. 1MATADORA DE TIGRINHOS 2LUCIANA — Eles acham que nós fizemos isso — disse Nina. — Nós não sabemos o que fizemos — respondeu Luciana. Melinda permanecia diante de uma das telas. Na página do Jogo, o rosto de Tigresa havia sido substituído por um quadrado vazio. Luciana percebeu. — Melinda… aquele pen drive. Ela se virou. — O quê? — Alguém usou? Melinda olhou para o telefone. Bóris continuava ligando. — Minha mãe sabia que ele podia ser útil algum dia. Luciana se aproximou. — Foi ela que deixou comigo? — Foi. Quando o seu nome ainda estava em quase tudo. — Eu não me lembrava direito. Era um vírus? — Era. — Para apagar provas. — Para apagar tudo que pudesse ser alcançado pela máquina em que fosse aberto. Luciana olhou para a tela outra vez. — E agora? Melinda quase sorriu. A voz de Nivalda apareceu inteira em sua lembrança, satisfeita com a própria precaução. — Digamos que não vai sobrar tigrinho sobre tigrinho. — Gente — disse Kadu. Todos olharam. Ele segurava o telefone diante do rosto. — A Offgrid caiu também. INDISPONÍVEL Nina se virou para o computador da Casa. — E os prontuários? Olívia telefonou para Joana. A resposta veio em poucos segundos. — Estão intactos. O servidor novo está fora da rede antiga. NOVO SERVIDOR registros preservados Melinda apoiou a mão na mesa e deixou o alívio chegar sem transformá-lo em mérito. O telefone vibrou outra vez. Bóris. Ela pegou. — Vou atender no escritório. Nina olhou para a tela. — Vai trancar a porta? Melinda parou. — Vou. — Depois abre. — Abro. Melinda entrou no escritório e girou a chave. O telefone vibrou pela última vez antes que atendesse. — O que você fez? — perguntou Bóris. — Eu mandei destruir. — Você sabia o que tinha ali. — Sabia o suficiente para não abrir. — Tigresa sumiu. Melinda olhou pela janela. No jardim, o funcionário tornara a pegar a vassoura. Luciana estava ao lado de Kadu. Nina atravessava o corredor na direção do escritório. — Eu vi — disse. — A Offgrid bloqueou todo mundo. Os contratos desapareceram. Os arquivos… Bóris parou. Melinda ouviu teclas e uma respiração que tentava continuar calculando. — Você me deixou com isso — disse ele. — Você roubou da casa de Luciana. — Porque você mandou. — Mandei buscar documentos. — A polícia vai se comover com a diferença. Melinda recebeu a frase. Do outro lado da porta, Nina bateu uma vez. Não tentou entrar. — Eu não vou cair sozinho — disse Bóris. — Não vai. — Está me ameaçando? — Meu nome aparece desde o começo. Ele ficou em silêncio. — Não pense que isso vai ficar assim. — Não, não vai. Eu vou continuar lutando contra a perversidade. Bóris riu. — Você é a perversidade. Melinda olhou para a porta trancada. — Não. Eu sou a Matadora de Tigrinhos. A Matadora de Tigrinhos ## Aposte nesta história Quatorze números. Quatorze capítulos. Escolha onde entrar — ou onde arriscar mais uma vez. [ 01 aberto ](https://logosgrafia.com/?p=12108) [ 02 ](https://logosgrafia.com/?p=12116) [ 03 ](https://logosgrafia.com/?p=12128) [ 04 ](https://logosgrafia.com/?p=12356) [ 05 ](https://logosgrafia.com/?p=12361) [ 06 ](https://logosgrafia.com/?p=12368) [ 07 ](https://logosgrafia.com/?p=12373) [ 08 ](https://logosgrafia.com/?p=12390) [ 09 ](https://logosgrafia.com/?p=12401) [ 10 ](https://logosgrafia.com/?p=12405) [ 11 ](https://logosgrafia.com/?p=12410) [ 12 ](https://logosgrafia.com/?p=12413) [ 13 ](https://logosgrafia.com/?p=12416) [ 14 ](https://logosgrafia.com/?p=12424) 01 Você continua chorando bonito 17/09 17 a 30 de setembro de 2026
