# Prato da Noite #11 — O maltratador

- Canonical: https://logosgrafia.com/2026/10/11/prato-da-noite-11-o-maltratador/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2026-10-11T23:00:00-03:00
- Modified: 2026-09-30T22:43:35-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: Palavra Curta, Prato da Noite, Publicações

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Luís Augusto convidou Aline e Vanessa para jantar e, antes mesmo da sobremesa, confessou que estava de olho no vizinho novo. — É um gatinho — disse, tentando parecer casual. Aline sorriu. Vanessa pediu detalhes. Bonito, solteiro, educado, aparentemente interessante. O entusiasmo durou pouco. Durante a noite, ouviram latidos insistentes no apartamento ao lado, seguidos de um grito masculino e um silêncio abrupto. Luís baixou os olhos. — Isso acontece bastante. Ontem vi ele puxando o cachorro pela coleira com tanta força que o bichinho caiu. Vanessa largou a taça. 🍽️ O primeiro parágrafo é por conta da casa. O restante deste Prato da Noite é servido aos assinantes Sementes. [ Assinar e continuar a leitura ](https://logosgrafia.com/comunidade/por-que-ser-uma-sementinha/) Nos dias seguintes, os três começaram a perceber mais coisas. Um cachorro que passava horas na varanda sem água, um gato que se encolhia quando o dono levantava a mão, choros abafados durante a madrugada. Luís tentou conversar com o vizinho e recebeu um sorriso. — Animal tem que aprender quem manda. Quando contou isso às amigas, Aline ficou em silêncio. Vanessa, não. — Você disse que ele era um gatinho? — Era força de expressão. — Eu sei. Só estou pensando que talvez tenha havido um erro de espécie. Na manhã seguinte, Luís abriu a porta e encontrou um gato adulto sentado sobre o capacho, bonito, assustado e estranhamente familiar. Havia ao lado uma sacola com ração, areia e um bilhete escrito por Vanessa: “Agora ele sabe como é depender da bondade de alguém.” Aline ligou minutos depois. — Você vai ficar com ele? Luís observou o gato se esfregando em sua perna. — Vou. — Mesmo depois de tudo? — Ele não merece ser tão bem cuidado. Vanessa, ouvindo ao fundo, respondeu: — Justamente por isso. Algumas lições precisam durar sete vidas.