# Prato da Noite #15 — Conteúdo indisponível

- Canonical: https://logosgrafia.com/2026/10/15/prato-da-noite-15-conteudo-indisponivel/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2026-10-15T23:00:00-03:00
- Modified: 2026-08-30T15:21:26-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: Palavra Curta, Prato da Noite, Publicações

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Otávio era um zumbi perfeitamente civilizado. Trabalhava, pagava boletos em dia, usava desodorante e considerava cérebros uma iguaria para ocasiões especiais. Naquela noite, escolhera cuidadosamente o jantar depois de acompanhar por semanas as publicações de um sujeito que parecia intelectualmente apetitoso: reflexões elaboradas, opiniões bem construídas, mensagens sensíveis para a namorada, legendas espirituosas, comentários políticos, sugestões de leitura e até uma lista de hobbies que faziam dele um homem aparentemente interessante. Aline conhecia o sujeito de vista e não quis estragar a expectativa do amigo. — Pelo menos deve ter bastante coisa aí dentro — comentou Otávio. 🍽️ O primeiro parágrafo é por conta da casa. O restante deste Prato da Noite é servido aos assinantes Sementes. [ Assinar e continuar a leitura ](https://logosgrafia.com/comunidade/por-que-ser-uma-sementinha/) Minutos depois, o zumbi voltou com uma expressão devastada. Sentou-se à mesa e permaneceu em silêncio. — Ruim? — perguntou Aline. Otávio balançou a cabeça. — Pior. Isso aqui veio vazio. Só depois do jantar descobrira, pelo celular do homem, que praticamente tudo havia sido terceirizado para a inteligência artificial: as mensagens românticas, as desculpas, as opiniões, os textos profissionais, as legendas e até os hobbies. — Eu já comi gente burra — disse Otávio. — Faz parte. Mas pelo menos era produção própria. Aline abriu uma garrafa de vinho e serviu o amigo. Otávio, ainda inconformado, pegou o celular do falecido e abriu o aplicativo que ele mais usava. Digitou: “Como lidar com a frustração de preparar um jantar e descobrir que o ingrediente principal nunca foi utilizado?”. A resposta começou a surgir na tela. Otávio leu algumas linhas, arregalou os olhos e bloqueou o aparelho. — Não. Como alguém confia cegamente nisso?! Aline levantou a taça. Pela primeira vez naquela noite, o zumbi decidiu que pensar por conta própria talvez fosse a única forma de não morrer de fome.