# Prato da Noite #20 — O novo affaire

- Canonical: https://logosgrafia.com/2026/10/20/prato-da-noite-20-o-novo-affaire/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2026-10-20T23:00:00-03:00
- Modified: 2026-08-30T15:21:32-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: Palavra Curta, Prato da Noite, Publicações

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Aline escolhera o restaurante mais caro da cidade para o terceiro encontro com Reginaldo, um homem que conhecera por acaso numa cafeteria. Empresário bem-sucedido, elegante sem esforço, engraçado sem precisar humilhar ninguém e atencioso a ponto de lembrar como ela gostava do vinho, ele apresentava um problema gastronômico sério: era bom demais para virar comida. Aline começava a considerar possibilidades mais duradouras quando Reginaldo pediu licença para ir ao banheiro. Mal ele desapareceu, Cláudio surgiu na cadeira vazia. — Bonitinho. — Aline fechou os olhos. — Você está me seguindo? — Eu estava passando. — Num restaurante francês às dez da noite? — Gosto de observar pecadores. 🍽️ O primeiro parágrafo é por conta da casa. O restante deste Prato da Noite é servido aos assinantes Sementes. [ Assinar e continuar a leitura ](https://logosgrafia.com/comunidade/por-que-ser-uma-sementinha/) Cláudio olhou na direção do banheiro com o desprezo particular de um ex que ainda se considera acionista da vida alheia. Aline apoiou a taça na mesa. — Supere. Nós não temos nada há dois séculos e meio. — Eu superei. — Você apareceu no meu encontro. — Coincidência. — Cláudio. — Está bem. Só achei que você gostaria de saber que esse sucesso todo do almofadinha se deve a um pacto que ele fez comigo. Aline parou. Cláudio sorriu, finalmente satisfeito por ter estragado alguma coisa. — Empresa, patrimônio, expansão internacional. Pacote completo. A alma vence em 2047. Aline permaneceu alguns segundos em silêncio. — Ele leu o contrato? Cláudio perdeu um pouco do sorriso. — Inteiro. Pediu alteração em duas cláusulas, negociou prazo e recusou a renovação automática. Aline pegou a taça novamente, agora visivelmente mais interessada. — Então é bonito, educado, bem-sucedido e lê Termos de Uso. Cláudio levantou-se, ofendido. Reginaldo já voltava à mesa quando o demônio murmurou: — Você sempre teve péssimo gosto. Aline sorriu. — Há dois séculos e meio, certamente.
