# Prato da Noite #22 — Mentalidade de dono

- Canonical: https://logosgrafia.com/2026/10/22/prato-da-noite-22-mentalidade-de-dono/
- Author: Paulo Ricardo Zargolin
- Published: 2026-10-22T23:00:00-03:00
- Modified: 2026-08-30T15:21:34-03:00
- Language: pt-BR
- Categories: Palavra Curta, Prato da Noite, Publicações

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Roberto finalmente aceitou apresentar Aline ao chefe. Os três estavam num happy hour da empresa, embora Roberto tivesse explicado duas vezes que precisava ir embora cedo. A lua cheia começava a aparecer entre os prédios quando o homem ergueu o copo e começou a falar sobre carreira. — O problema dessa geração é olhar demais para o relógio. Quem quer crescer precisa ter mentalidade de dono. Aline olhou para Roberto. Roberto olhou para a lua. O chefe continuou: — Às vezes é preciso sacrificar uma noite, um fim de semana, um compromisso pessoal. Empresa nenhuma cresce com gente preocupada em bater ponto. 🍽️ O primeiro parágrafo é por conta da casa. O restante deste Prato da Noite é servido aos assinantes Sementes. [ Assinar e continuar a leitura ](https://logosgrafia.com/comunidade/por-que-ser-uma-sementinha/) Roberto respirou fundo e lembrou que já fizera hora extra três vezes naquela semana. O chefe sorriu como quem acabara de encontrar uma oportunidade pedagógica. — E é justamente aí que se vê quem veste a camisa. Você precisa parar de pensar como funcionário. Pense como se a empresa fosse sua. — Minha? — perguntou Roberto. — Exatamente. Aline percebeu os dedos do amigo começando a mudar. As unhas cresceram discretamente sobre a mesa. Em qualquer outra situação, teria interferido. Talvez inventasse uma desculpa, puxasse Roberto pelo braço, pedisse a conta. Naquela noite, limitou-se a terminar o vinho. O chefe ainda falava quando Roberto se levantou. — Então posso tomar decisões como dono? O homem abriu os braços. — É disso que estou falando! Aline colocou a bolsa no ombro e afastou a cadeira alguns centímetros. A lua já estava inteira na janela. — Excelente — disse Roberto, enquanto os dentes começavam a aparecer. Aline chamou o garçom. — Fecha a minha conta, por favor. — E a do seu amigo? Ela olhou para a mesa. — Acho que ele vai assumir a empresa.
