Esta estante reúne narrativas em capítulos que tratam a continuidade não como mera sequência, mas como mecanismo de tensão. Aqui, cada texto parece começar quando alguma normalidade já foi discretamente ferida: um detalhe fora do lugar, um gesto que não se explica de imediato, uma ausência, um objeto, um sintoma, uma frase, um vestígio. O que se oferece ao leitor não é apenas enredo, mas a experiência de entrar, pouco a pouco, numa engrenagem de estranhamento.
Predominam histórias em que o cotidiano não se rompe de uma vez: ele se contamina, se desloca, se revela insuficiente. As tramas avançam por camadas, trabalhando suspense, ambiguidade e reconhecimento tardio. Em vez de explicar demais, elas preferem insinuar; em vez de entregar certezas, cultivam sinais. Cada novo capítulo não apenas continua o anterior, mas o reinterpreta, ampliando o campo do que estava em jogo desde o início.
É, portanto, uma estante de narrativas seriadas marcadas por atmosfera, progressão e expectativa. Um espaço para histórias que sabem prender não pelo excesso, mas pelo controle; não pelo susto fácil, mas pelo acúmulo de indícios; não pela pressa de concluir, mas pelo prazer de fazer o leitor permanecer — atento ao próximo movimento, à próxima revelação, ao próximo desvio.

Ana Paula é, no centro, uma história sobre um contato que desencadeia algo irreversível. A narrativa acompanha a passagem de uma situação aparentemente controlável para um processo estranho, progressivo e inquietante, em que o corpo deixa de ser apenas corpo e passa a carregar uma espécie de sentença. Mais do que uma trama sobre doença, é uma história sobre consequência, isolamento e transmissão. Sobre o momento em que alguém percebe, tarde demais, que certos gestos inauguram caminhos sem retorno.

Em uma crudelíssima semana é uma história de desaparecimento, suspeita e revelações graduais. A narrativa organiza seus acontecimentos ao longo dos dias como se cada etapa retirasse um pouco da aparência de normalidade, expondo relações frágeis, versões mal ajustadas e uma trama de tensão que se fecha aos poucos sobre seus personagens. Mais do que contar um sumiço, a história explora o modo como o mistério reorganiza tudo ao redor: o trabalho, os afetos, a memória e a percepção do que parecia estável.

O jogo, uma ficção marcada por tensão, percepção, ambiguidades e jogos de interpretação, em torno do universo de MAGENTA! — onde lógica, blefe e relações humanas se entrelaçam numa narrativa inquieta e singular.

Maracangalha é uma série logosgráfica sobre uma cidade fictícia onde o mar não aparece apenas como cenário, mas como memória, presságio e ressaca. Entre política, desejo, segredo e crítica social, cada capítulo revela as águas ocultas de uma cidade colorida por fora e ferida por dentro.
Acesse abaixo a playlist, pensada para embalar este enredo:

