Por: Paulo Ricardo Zargolin
Há ventos que vêm
para apagar o que mal começou,
mas há outros que chegam certos,
na direção exata,
e transformam
uma pequena labareda
em espetáculo.
É assim que o destino sopra,
imprevisível,
incendiário
e justo
em silêncio.
Às vezes acreditam
que as fagulhas lançadas contra alguém
possam arrasar seu chão,
mas o vento muda,
e aquilo que era ameaça
vira luz.
O fogo que seria o fim
passa a guiar os passos
de quem resistiu.
O fogo da justiça
tem manias de poeta.
Não vinga por ódio,
arde por verdade.
Não se sopra,
revela-se.
E quando o vento sopra
do lado certo,
não queima quem é luz.
Apenas desnuda
quem fingiu saber
lidar com as chamas.

