-Paulo Ricardo Zargolin · Logosgrafia & Cia

Muito prazer, eu existo

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Acreditar que todos têm algo a dizer é mais do que uma utopia, é um sonho cuja realização depende das relações interpessoais que, até então, nunca foram estabelecidas em nossa sociedade. Assumir-se diante dos outros ou esconder-se? Eis a questão! Nosso tema de hoje é: “MUITO PRAZER, EU EXISTO”.

Antes de tudo, é necessário compreender que nossa recém-democracia, pós regime militar, nunca deixou de ser autocrática: apenas escondeu-se em teleprompters e editoriais dos formadores de opinião que chegaram às diversas mídias, que até então eram, em sua totalidade, compradas ou passíveis de “negociação”.

Fugindo disso, o Brasil ainda engatinha no mundo virtual, onde a mídia é feita pelos usuários e qualquer um que queira expor seus pensamentos e argumentos, pode fazê-lo livremente. As represálias, se existirem, tais como os louros, também serão, em sua maioria, virtuais.

Mas será que todos estão preparados para expor suas opiniões?

A resposta é um sonoro não, muito embora todos devessem possuir as condições para tanto. Porém, a Educação precisa ser remodelada para que a liberdade de expressão seja, de vez, disseminada em nossa sociedade.

Enquanto isso não acontece, modelos de “deseducação” são viralizados em toda a rede, pois aqui, terra sem rei, todos podem espalhar seu lixo, sem que alguém promova o “verde” no universo virtual. Aqui, a bobagem é mimetizada e a cultura é supérflua!

Resultado da Geração BBB? Não. Resultado da alienação. Qualquer produto veiculado por qualquer mídia pode conceber tal façanha, principalmente, quando o estudo é desvalorizado e profissionais da educação são ridicularizados.

É por isso que nem todos têm possibilidade de se expressar ainda. Potencial, claro, todos têm! Mas é preciso ter educação para saber o que falar, como falar e com quem falar.

Porém, confundem-se os limites da expressividade com prisão de ventre… Dá-lhe, Activia e o resultado é o riso, que nada tem a ver com conscientização. Por aí, vloggers e bloggers de todo o país discutem e criam virais. Os que mais fizeram sucesso, xingam e esbravejam com o público, trazendo concepções muitas vezes relevantes, mas sem um pingo de educação.

Muitas vezes, eu cheguei a pensar que há momentos em que ser deselegante é realmente necessário. Como no trânsito, por exemplo. Quando alguém comete um erro absurdo na direção, as críticas vêm em forma de gritos e xingamentos – quando não vão às vias de fato. Mas, aos poucos, compreendi que os berros são nada mais que barulho. E, além disso, é fácil brigar com alguém que te deu uma fechada na rua, mas não é com a mesma agitação que se fiscaliza o destino de nossos impostos.

Acontece que somos educados para não levar desaforo pra casa, no entanto, tudo o que nos cerca tem “desaforos” embutidos no preço que pagamos. E quem se queixa disso, o faz também sem educação.

É interessante observar como muitos perdem o controle em uma situação em que é preciso se posicionar. E isso acontece justamente pela falta de educação. Isso pode acontecer com qualquer um. Ainda que a pessoa em questão seja PhD, porque, na verdade, a titulação não resguarda os sentimentos. Quem o faz é o bom senso.

Mas não sejamos ingênuos. Ter bom senso não é ser passivo. É estar bem consigo mesmo. Quando uma situação pode ser resolvida com cautela, é possível respirar a tranquilidade; conquanto que traçar resoluções em meio à algazarra traz conflitos internos que transformam, desnecessariamente, a situação vivenciada em uma monstruosidade.

Então, aprender a se expor é mais do que necessário. Desde que seja aprendido mesmo, dosado, medido. Não para censurar, mas para tornar-se consciente antes de só “falar da boca pra fora”. Há que se defender diante das mazelas sociais, das dificuldades e das corrupções, mas deve-se fazê-lo com consciência e educação, para não perder o horizonte e seguir firme em busca do que se deseja.

Assim como você, eu também existo, e estou aqui para expor meus pensamentos. Que não são fixos, é bem verdade. Mudam a cada instante, numa metamorfose mais constante que a de Raul Seixas. E existo, porque penso. E existo porque você me ouve, me vê, pensa comigo, discorda de mim. E existo, porque não sou você, o outro que, apesar de coexistir aí, não me causa medo nem repulsa. Só respeito e peço, humildemente, o mesmo. Muito prazer!

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