-Paulo Ricardo Zargolin · FUNEC · Logosgrafia & Cia · Psicologia

Opinião formada

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Há uma grande dúvida relacionada ao “término” da formação do ser humano enquanto indivíduo. Quando, de fato, tornamo-nos algo que supra as expectativas sociais? Será que fazemos isso em algum momento? Há quem nunca se forme completamente ou que nunca proveja as próprias necessidades?

Certamente, sobretudo nas esferas da Psicologia, há teorias com o intento de explicar os limítrofes do desenvolvimento humano, onde começam e onde terminam nossas progressões diante de aspectos biofisiológicos, sociais e psicológicos, mas tais teorias apresentam concepções divergentes entre si e, no frigir dos ovos, não existe consenso sobre esse tema.

E se não há uma conclusão, então, podemos refletir… Mas, espere um momento! Mesmo quando as discussões apresentam argumentos conclusivos, é possível continuar explorando e modificando os pensamentos acerca daquilo que fora dado como encerrado.

Ao refletir, então, descobre-se um universo novo, repleto de ideias acerca de tudo, sem a necessidade de que as discussões sejam concluídas. Assim, forma-se uma espiral de pensamentos, que apesar de se encerrar em um polo, sempre pode se afastar/aprofundar, ou se aproximar/regredir, conforme as possibilidades de reflexão a que é submetida, obedecendo a uma lei, portanto, conforme a analogia matemática.

Fato é que as condições reflexivas que se encerram sobre os diversos temas que nos são apresentados na vida cotidiana dependerão de nossa evolução no campo biopsicossocial. Isso ocorre, pois não há como a mente conceber, na infância, por exemplo, abstrações cujas sinapses necessárias para esse fim seriam biologicamente constituídas apenas na vida adulta.

Contudo, a formação do ser humano, no tocante a aspectos relevantes de sua personalidade e caráter, muito embora obedeça a uma gradação concernente à evolução biofisiológica, é passível de mudanças, envolvendo tanto expansões como regressões, conforme o caso, e depende exclusivamente da autocapacitação do sujeito em refletir e analisar seus próprios atos e pensamentos.

Em suma, é possível que sejamos “uma metamorfose ambulante”, mas, para tanto, é necessário que tenhamos a consciência de que é possível repensar em tudo, antes de ter uma opinião formada. Além disso, e, sobretudo, é necessário saber refletir como estamos concebendo tais opiniões, a partir de quais fontes e sob quais óticas estamos sendo guiados. Há que se ter cuidado para se esquivar das influências exercidas pelas mídias, cultivando ponderações mais plausíveis e menos deturpadas.

Assim, enquanto indivíduos, nossa formação passa por uma padronização, principalmente, porque há expectativas – consideradas normais ou inadequadas por parte dos estudiosos do desenvolvimento humano – sobre nossos comportamentos. Isso acontece mesmo no senso comum pela observação dos pais. Tal expectativa é frustrada, muitas vezes, porque se passa a vida toda buscando alcançar objetivos finitos, mas observa-se que é necessário enfrentar crises internas para refletir sobre alterações que constantemente nos são arguidas.

Finalmente, é preciso ter consciência de que as mudanças decorrentes da reflexão estarão atreladas ao desenvolvimento da capacidade de pensar e compreender o mundo a partir de concepções que melhor estejam harmonizadas intrinsecamente com o indivíduo  independentemente dos tons de cientificidade, razão ou emoção que dão cor ao quadro final; até mesmo porque, ainda com a tela terminada, é possível fazer retoques e começar nova pintura.

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