Por: Antonio Claudio Teixeira Cruz
É comum ouvirmos, às vezes de nossos próprios lábios, a expressão “não fui com a cara dele”. Como poderemos saber se a laranja é azeda, se não a provarmos? Como poderemos saber se a poltrona é macia se não a testarmos?
Ora, diria um “pré-conceituoso”, eu sei que a laranja está azeda e a poltrona é dura porque me falaram. O fulano afirmou que a laranja está azeda e o sicrano disse que a poltrona é dura.
O problema é que o fulano teve o seu paladar construído a partir da vida intrauterina e modificado ao longo de toda a sua vida até chegar ao momento de afirmar que aquela laranja estava azeda. Trata-se de uma opinião única e exclusiva dele, formada sob o molde de seu singular e característico paladar.
Com o sicrano acontece a mesma coisa, ou seja, construiu seu sentido de tato da mesma forma: começou acariciando a mãe, depois pedras ou bichos de pelúcia e depois, adulto, picaretas ou canetas e assim formou o seu sentido, também único e exclusivo, formando suas opiniões.
Assim sendo, os juízos de outrem devem ser respeitados sim, mas não como um axioma indiscutível pela sua verdade incontestável, mas como mais informação para o nosso arquivo de dados, que, utilizados com bom senso, otimizam o nosso discernimento no mundo.
Por outro lado, ao considerarmos que a laranja está azeda por uma pequena mancha na casca, estaremos, talvez, perdendo a oportunidade de experimentarmos a mais doce das frutas.
Quantas frutas doces deixamos de experimentar porque falaram que eram azedas? E quantas frutas doces deixamos de experimentar porque tinham manchas aparentes que nos fazem dizer “não fui com a cara dela”?
O autor é administrador aposentado. Cursa o 4o. ano de psicologia e tem como hobbie ler e escrever.
