Por: Paulo Ricardo Zargolin
Diante do percurso trilhado na disciplina “Trabalho, Tecnologias e Formação”, infere-se que as questões dialógicas, envolvendo suas intersecções devem estar inseridas nos espaços e nos tempos escolares, nas interações entre professores e alunos e nas aprendizagens individuais e coletivas.
Para atingir a finalidade a humanidade mobiliza suas potencialidades para transformação da natureza, agindo sobre as relações de causalidade presentes nesta. Nesse processo, a humanidade cria meios de produção que aumentam sua capacidade de transformação da natureza. (AUGUSTO, 2009, p. 310).
Nesse sentido, a internet modificou a forma com que, por exemplo, os leitores interagem com as obras literárias e os produtos de cultura de massa em geral; o leitor que antes era apenas um agente passivo, consumidor do conteúdo fornecido pela empresa detentora da obra, hoje, exige que a obra e o universo criado por ela possam oferecer cada vez mais conteúdos e possibilidades de aproximação por meio da coautoria. Trata-se da cultura da convergência, e sobre ela Jenkis (2009, p. 29) nos explica:
Por convergência, refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam. Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando.
Ainda nessa seara, a tecnologia não só é portadora da relação de posse como também é parte da estrutura global do capital. A relação de propriedade separa os meios de produção dos trabalhadores, transformado-os, assim, em capital. (AUGUSTO, 2009, p. 315).
Vale destacar que a meta tradicional da ciência era a verdade através do método, em particular a teoria científica verdadeira. A objetividade e o rigor seriam os atributos desse conhecimento. Por outro lado, a função da tecnologia se vincula à realização de procedimentos e produtos para o consumo mercantil, cujo ideal é a utilidade, logo a inovação e o progresso através da eficácia. A tecnologia só teria o papel de procedimentos operativos úteis desde o ponto de vista prático para determinados fins e ela seria neutra e aplicável em toda as sociedades, independente dos valores que as comunidades possam sustentar.
Maron e Lobo Neto (2011, p. 3), indicam que
o trabalho como princípio educativo contribui na formação do trabalhador, tomando-se como um processo que, articulando ciência, cultura, tecnologia e sociedade, possibilita uma formação fundamentada nos conhecimentos acumulados pela humanidade, através de uma organização curricular que promova a apropriação dos saberes de caráter mais amplo e genérico (científicos e culturais) voltados para o desenvolvimento humano.
Freire (1992) corrobora com tais ideias, ao salientar a imperiosidade de que os docentes construam uma postura dialógica e dialética, não mecânica, trabalhando o processo ensino e aprendizagem, fundamentado na consciência da realidade vivida pelos educandos, jamais o reduzindo à simples transmissão de conhecimentos.
Vimos, então, que a tecnologia também serve à ciência de várias formas, sendo a mais evidente, a de construir com o instrumental necessário para a realização dos experimentos e observações científicos e, no caso dos computadores, de funcionar também como instrumento para realização de cálculos e outras manipulações simbólicas envolvidos no trabalho teórico.
Portanto, frente à bagagem prévia dos educandos, resultado de suas interações, experiências e vivências, acredita-se que o educador deve fugir de uma prática metodológica sustentada na educação bancária.
REFERÊNCIAS
AUGUSTO, A. G. A dessubjetivação do trabalho: o homem como objeto da tecnologia. R. Econ. contemp., Rio de Janeiro, maio/ago. 2009. Disponível em: <https://moodle.unifei.edu.br/mod/resource/view.php?id=139221>. Acesso em 30 jul. 2021.
FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. 245p.MARON, N.; LOBO NETO, F.J. da S. Tecnologia e trabalho nos processos de formação humana. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Disponível em: https://www.esocite.org.br/eventos/tecsoc2011/cd-anais/arquivos/pdfs/artigos/gt015-tecnologiae.pdf. Acesso em: 31 jul. 2021.

