Por Paulo Ricardo Zargolin
Há salas que passam a vida inteira organizadas em torno de uma televisão.
O sofá olha para ela.
Os móveis aprendem sua posição.
As visitas se acomodam sem perceber.
Parece que aquele é o centro inevitável da casa.
Até que, numa noite qualquer, alguém apaga as luzes e liga um projetor.
De repente, a televisão continua no mesmo lugar.
Mas a sala ficou grande demais para ela.
A parede que sustentava um quadro, um calendário ou apenas as marcas discretas de um móvel antigo deixa de ser parede.
Vira cinema.
Não importa se a casa tem uma sala enorme ou um espaço apertado entre o sofá e a estante. Não importa se há poltronas sofisticadas ou cadeiras trazidas às pressas da cozinha. Quando a luz diminui e a imagem aparece, o reboco desaparece.
No lugar dele, surgem cidades, oceanos, galáxias, monstros, heróis e histórias que talvez já tenhamos visto muitas vezes, mas nunca exatamente daquele jeito.
É curioso perceber que um dos grandes luxos domésticos do nosso tempo não seja possuir uma sala de cinema.
É conseguir transformar qualquer sala em uma.
Talvez seja por isso que os projetores portáteis despertem tanto desejo. Eles não prometem apenas uma imagem maior. Prometem alterar a relação que temos com a própria casa.
A televisão permanece ocupando seu canto habitual. O computador continua sobre a mesa. O celular ainda pisca, vibra e tenta chamar nossa atenção.
Mas a parede se abre.
E, quando ela se abre, a sala deixa de ser apenas o lugar onde descansamos depois de um dia cansativo. Torna-se cenário de estreia, arquibancada, nave espacial, floresta encantada ou passagem secreta para alguma lembrança que julgávamos perdida.
Vivemos cercados por telas cada vez menores.
Assistimos a vídeos enquanto esperamos uma consulta. Vemos episódios entre uma notificação e outra. Interrompemos uma cena para responder mensagens que, quase sempre, poderiam esperar.
Um projetor propõe o movimento contrário.
Ele pede que as luzes diminuam.
Que alguém escolha o filme.
Que outra pessoa faça pipoca.
Que todos, por algum tempo, olhem na mesma direção.
Talvez seja esse o verdadeiro produto colocado no carrinho.
Não apenas um aparelho.
Uma desculpa para que o filme volte a ser um acontecimento.
O sonho da vez
O projetor portátil Soundcore, da Anker, foi escolhido para esta edição de Sonhos da Amazon porque representa mais do que a ampliação de uma imagem. Ele oferece a possibilidade de transformar paredes comuns em telas e devolver alguma solenidade ao hábito de assistir.
Antes de comprar, consulte na página da Amazon as características do aparelho, as condições de venda, o prazo de entrega e as avaliações de outros consumidores.
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Talvez seja uma boa ideia deixar uma parede livre.
Na próxima quinta-feira, o Logosgrafia pretende trazer de volta uma tarde que muita gente pensava ter terminado há décadas.
Por enquanto, basta apagar as luzes.

