Logosgrafia es más
Uma língua não termina na tradução.
Logosgrafia es más nasce para aproximar o portal das literaturas, palavras, memórias, vozes e culturas do mundo hispanofalante. O espanhol pode ser a porta de entrada — mas aquilo que existe depois dela é muito maior do que trocar uma palavra por outra.
Ler outra língua também é descobrir outra maneira de organizar o mundo.
Traduzir será uma das experiências desta estante, mas não sua fronteira. Es más pretende criar pontes entre o Logosgrafia e diferentes territórios de língua espanhola: literatura, música, expressões cotidianas, história cultural, imaginários populares, autores, personagens, canções e palavras que mudam de sentido quando atravessam uma fronteira.
Aqui, a tradução não procura fingir que a distância entre duas línguas desapareceu. Ao contrário: interessa justamente perceber aquilo que muda durante a viagem.
Atravessar
Fazer uma obra, uma palavra ou uma ideia circular entre línguas sem apagar o lugar de onde ela veio.
Atualizar
Aproximar textos de outros tempos do leitor contemporâneo sem transformar atualização em domesticação.
Escutar
Reconhecer que o espanhol não possui uma única voz, um único sotaque nem uma única experiência cultural.
Devolver
Fazer a travessia produzir novas leituras, relações e perguntas quando o texto chega ao outro lado.
O que pode morar em es más?
A estante foi pensada para permanecer aberta. Um clássico traduzido pode conviver com uma canção, uma palavra intraduzível, uma lembrança televisiva, uma leitura comparada ou uma voz contemporânea.
Clássicos em nova passagem
Traduções livres e atualizadas de obras de domínio público, preservando a força literária do original e procurando uma chegada natural ao português brasileiro.
Palavras em trânsito
Expressões, falsos cognatos, escolhas de tradução, regionalismos e pequenas diferenças capazes de revelar como cada língua organiza sua experiência.
Cultura que fala
Música, televisão, cinema, publicidade, personagens e referências populares também podem funcionar como portas para conhecer diferentes mundos de língua espanhola.
Vozes do presente
Autores, leitores, convidados, obras contemporâneas e encontros capazes de fazer a circulação acontecer nos dois sentidos.
Leituras cruzadas
Aproximações entre Brasil e países hispanofalantes, observando diferenças, parentescos, deslocamentos históricos e ecos inesperados entre nossas culturas.
Criação de ida e volta
Textos, experiências e projetos que não partam necessariamente de uma obra a ser traduzida, mas da vontade de criar entre línguas e culturas.
O espanhol não é um país.
Do Rio da Prata ao Caribe, dos Andes à Península Ibérica, uma mesma língua atravessa histórias, ritmos, paisagens e experiências profundamente diferentes.
Por isso, Logosgrafia es más não pretende criar uma imagem genérica do “mundo espanhol”. Cada obra deverá carregar consigo sua procedência, seu tempo, suas marcas culturais e as particularidades da variante linguística que a produziu.
Uma obra chega. O Logosgrafia não a deixa exatamente onde a encontrou.
Cada projeto poderá seguir um percurso diferente, mas a estante parte de quatro movimentos: encontrar, ler, atravessar e devolver.
Uma obra, uma palavra, uma música ou uma referência chama atenção.
Antes de transportar, é preciso perceber sua voz, seu tempo e aquilo que não pode ser tratado como simples equivalência.
Tradução, comentário, adaptação, estudo ou criação colocam dois territórios em contato.
A experiência volta ao Logosgrafia carregando sentidos que talvez nenhuma das duas margens possuísse sozinha.
O espectro
Horacio Quiroga
Tradução livre e atualizada de Paulo Ricardo Zargolin
A estreia de Logosgrafia es más começa no Uruguai, com um conto em que desejo, imagem, morte e obsessão continuam atravessando o tempo.
O espectro chega ao Logosgrafia em seis capítulos. O primeiro permanece aberto a todos os leitores; os cinco seguintes integram a experiência dos assinantes Semente.
A primeira tradução abre a porta. Não define o tamanho da casa.
O espectro inaugura o projeto porque uma obra literária permite mostrar imediatamente o que acontece quando uma narrativa atravessa língua, época e leitor.
Mas es más quer continuar por outros caminhos: escritores, canções, expressões, lembranças culturais, cinema, televisão, diferenças linguísticas, diálogos com o Brasil, convidados e criações que possam nascer justamente desse contato.
Em algumas ocasiões haverá tradução. Em outras, comparação. Às vezes haverá estudo. Às vezes memória. Às vezes uma palavra será suficiente para abrir toda a passagem.
Há coisas que se perdem na tradução. Outras só aparecem por causa dela.
Logosgrafia es más nasce para procurar justamente essas coisas: aquilo que muda, resiste, escapa, aproxima e volta diferente depois de atravessar uma língua.
Porque leer es más. Traducir es más. Descubrir es más.
¡Logosgrafia es más!
