Por: Leonardo Alves de Moraes
Gosto daquela encarada dos lutadores de MMA. Existe alguns que mostram a alma no olhar. Imagino no que eles querem dizer ao outro: “eu te conheço, sei como luta, como age, conheço seu melhor, conheço suas fraquezas, vou ganhar de você, não tenho medo de você”. Eles estudam o adversário antes da luta, isso é fato no esporte em geral. Deve-se conhecer o oponente que se irá enfrentar. Mas conhecer o outro nos leva a ser revelado também.
Hoje em dia, é notório observar a dificuldade que as pessoas têm na relação interpessoal. Parece que existe um abismo entre o “eu” e o “outro”. Não conseguem mais se relacionar, conversar, olhar nos olhos, se mostrar ou conhecer o outro. É visível o medo que as pessoas têm de se mostrar, de serem conhecidas. Isso causa certo pânico e, como mecanismo de defesa, cria-se uma barreira invisível para afastar e impedir que seja conhecido. Pode-se observar a crescente relação virtual, onde se está protegido, seguro, passa a imagem que quiser.
O que me intriga é: por que buscar meios de fuga para não ser conhecido? Por que esconder-se? Para que serve tanto receio? Sartre diz que perceber é olhar, e captar um olhar não é apreender um objeto no mundo, mas tomar consciência de ser visto. Quando tomo essa consciência, eu torno-me revelado ao outro, mas o outro também a mim.
Sartre traz também uma ideia de que esse medo gera uma máscara de má fé. As atitudes e condutas passam a ser calculadas e manipuladas. Parece que a relação torna-se hostil e pretensiosa. Cria-se uma imagem que não se revela de verdade o que cada um é. E quando começa a se sentir ameaçado pela possibilidade de ser conhecido, faz o uso de subterfúgios para afastar o outro.
Penso que ser conhecido, mostrar o meu melhor, ou que sou um ser frágil e tenho limitações não é fraqueza e sim virtude. Pois, a partir do momento que me conheço, tenho maior possibilidade de grandeza. Como diria Jigoro Kano, o mestre criador e intelectual do Judô como filosofia de vida: “Conhecer-se é dominar-se. Dominar-se é triunfar”. Entendo que a partir do momento que o outro o conhece e toma conhecimento do “eu”, concebe-se uma oportunidade imprescindível para que se evolua.
