-Memes · -Paulo Ricardo Zargolin

Politicamente mimimi

mamonas

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Os anos 2010s têm sido os mais estafantes. As pessoas, com o advento das redes sociais, intensificaram o seu “direito de expressar a própria opinião” e de querer “julgar os outros” pelo que é postado, curtido e compartilhado.

Além disso, definiu-se um discurso “politicamente correto” para tudo e para todos. Tudo é polêmico! Tudo. Ninguém pode falar de religião, de cultura, de sexualidade, de diferenças sociais… E, quando fala, é castrado!

Por isso, toda música de sucesso hoje em dia só tem monossílabos que são repetidos incessantemente, simulando onomatopeia relativa ao coito.

Sou fã dos Mamonas e não é só por ser a favor das letras escrachadas. Preconceitos existem em todas as relações humanas. Não é uma legislação que vai impedir que um indivíduo preconceituoso – seja lá contra qual minoria for – deixe de sê-lo. A conscientização e a educação – para uma convivência saudável em favor da diversidade – deveriam partir de ações mais inteligentes e de políticas públicas educacionais e não de simples imposições.

Doa a quem doer, cada um tem o direito de pensar o que quiser sobre tudo. O ideal é que nos eduquemos constantemente a fim de que cometamos cada vez menos injustiças com nosso semelhante.

De toda forma, a vítima de preconceito – em qualquer situação – não deve nunca assumir a vitimização, dando valor ao discurso de seu (pseudo)algoz. Deve, ao contrário, valorizar-se e rir da ignorância alheia.

Um autêntico homofóbico só o é, porque não teve a oportunidade de vivenciar a experiência de um gay. Portanto, não pode falar a respeito, porque não é gay. Não sabe como é ser gay. E, desse modo, tudo o que diga é baseado na sua total falta de conhecimento sobre o assunto. Esse indivíduo também não teve, por suposto, contato com algum gay que se mostrasse merecedor de respeito e com quem pudesse ter uma amizade verdadeira. Se essa pessoa professa algum tipo de discurso de ódio ou qualquer baboseira nesse sentido, nunca poderia ser levada a sério, mas, infelizmente, está sendo condenada.

Um homem ou uma mulher machistas também o são assim, simplesmente, por terem assimilado bem os preceitos que regem as sociedades há milênios. Não é, então, culpa deles também. Qualquer discurso que professem contra as mulheres, o feminismo ou os direitos iguais é resultado da ignorância ou da negação – no caso das próprias mulheres – do princípio da equidade e da humanização concernentes à dignidade humana.

Um xenófobo também não nasceu nem criou-se no país alheio e, portanto, tudo o que sabe a respeito da pátria que lhe parece inferior é embasado em sua total falta de vontade de conhecer – com profundidade – a cultura e as ideologias de outrem.

Um racista – ou melhor, “etnicista”, porque a raça é uma só: humana – também é um pobre miserável que não sabe valorizar as pessoas por quem elas são e prefere ver, nas aparências, um motivo para definir quem é bom e quem é mau, quem é feio e quem é belo; como se essas não fossem características atribuídas subjetivamente por cada um, já que “julgar” baseando-se em critérios superficiais nunca foi nem nunca será uma decisão inteligente.

Portanto, cada um tem direito de pensar e falar o que quiser a respeito de tudo e de todos. Isso não significa, porém, que seu discurso terá fundamento ou que será inquestionável. Nunca! E, se alguém se sentir mal com as risadinhas, piadas ou canções vexativas, é só fazer assim: levanta a cabeça e vai lá mostrar para si mesmo e para todos do que você é capaz! Ignorância só pode ser vencida com consciência e com educação!

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