O preconceito e a inércia da alma

Por: David Alexandre Martins

Ao observarmos a sociedade como um todo; atentando à via de regra, à massa e ao senso comum, fica clara a presença de um comportamento próximo ao dos campos formativos na natureza – cardumes e manadas, por exemplo; os quais uma vez agrupados comportam-se como um único ser, de maior dimensão corporal; onde seus integrantes adquirem a função de espécie de células ou partículas desse “ser” ou “corpo” de maior escala dimensional.
A presença de tal atitude e ação leva à reflexão sob a perspectiva de macrocosmo e microcosmo – teoria e filosofia baseadas na observação das camadas e proporções entre corpos físicos e lógicos, grupos e subgrupos sociais. Ou seja, um indivíduo qualquer ao se relacionar com outros diversos indivíduos de comportamento idêntico ou similar gera um corpo maior e coeso – são o que chamamos de grupos, clãs, tribos, famílias e sociedades.
(…)
As convenções sociais e paradigmas – modelos ideais a serem seguidos geralmente polarizados em certo/errado, adequado/inadequado – são aqueles que regem e/ou balizam os ditames do que chamamos de moral e ética; de onde derivam e simultaneamente geram as instituições sociais como: A Família, O Casamento, A Religião e A Propriedade Privada; é difícil definir uma rota específica que determine exatamente em que ponto e como esse “emaranhado” de diretrizes sociais se inter-relacionou, gerando e reforçando as tradições, comportamentos culturais, assim como a dedicação e esforços gastos de forma incansável nessas ações multilaterais e multidirecionais. Segundo Gikovate F. esses são indicadores claros da energia gasta para que se mantenham paradigmas nem sempre confiáveis; no decorrer da história nossos hábitos foram ensinados, repetidos e reforçados; em regra geral o que fora demasiadamente repetido não corresponde à verdade, pois a verdade é natural, se mostra por si só, não depende de repetições e reforços.
(…)
A neurociência afirma que nossa evolução enquanto espécie deve-se a dois fatores determinantes: A capacidade de reconhecer padrões – que determinou as bases para o comportamento posterior que nos levou a adotar ações reativas frente aos mesmos cenários e/ou estímulos – e a nossa capacidade de adaptação a novas realidades e situações. Aí estão os dois ingredientes básicos ainda que incipientes, geradores do preconceito. Supõem-se então, que possa ter havido um lado negativo – como tudo na vida dependendo do uso que damos e escolhas que fazemos – da evolução e seus padrões, os mesmo princípios que nos impulsionaram na direção das conquistas e perpetuação da espécie, também criaram um sistema potencialmente perigoso quando somado às sofisticações da “civilização”. A provável “culpa” está nos chamados “neurônios espelho”, descoberta relativamente recente da neurociência.
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O Preconceito labuta, portanto, como uma espécie de atalho psicossocial, expressão vil da preguiça mental – Inércia da Alma – e falta de disposição de nosso mundo interior em encontrar respostas fora dos orgulhos e ressentimentos de nossa frágil e patética esfera individual; a qual fora forjada por impulsos e reações biológicas que ao se somarem e fixarem à cultura formaram um tipo de comportamento inconscientemente imaturo em sua própria manifestação; que parece não acompanhar a imediata necessidade de constantes revisões no que tange as relações interpessoais e psicossociais.

O autor é graduando em Gestão de Recursos Humanos com ênfase em Gestão Estratégica de Pessoas, Gestão de Conflitos, Coaching e Psicodinâmica do Trabalho; pesquisador e estudioso nas áreas de Comportamento Humano, Psicanálise, Comportamento Psicossocial, Filosofia, Sociologia e Sexologia.

Este texto é um recorte do artigo “A origem do preconceito e a inércia da alma: suas fontes causais, desdobramentos e consequências” do mesmo autor.

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