Por: Paulo Ricardo Zargolin

10 de novembro de 2021
Para compreender o papel do racismo na sociedade é importante refletir que de fato, de acordo com o IPEA (2008), o racismo opera mecanismos de desqualificação dos não-brancos na competição pelas posições mais almejadas. Ao mesmo tempo, os processos de recrutamento para posições mais valorizadas no mercado de trabalho e nos espaços sociais operam com características dos candidatos que reforçam e legitimam a divisão hierárquica do trabalho, a imagem da empresa e do próprio posto de trabalho.
O referido Instituto indica ainda que esses mecanismos de discriminação racial não apenas influenciam na distribuição de lugares e oportunidades. Reforçados pela própria composição racial da pobreza, eles atuam naturalizando a surpreendente desigualdade social desse país. Ou seja, o racismo, o preconceito e a discriminação operam sobre a naturalização da pobreza, ao mesmo tempo em que a pobreza opera sobre a naturalização do racismo, exercendo uma importante influência no que tange à situação do negro no Brasil.
REFERÊNCIA
IPEA. Diretoria de Estudos Sociais (Disoc). Desigualdades raciais, racismo e políticas públicas: 120 anos após a abolição. Brasília, 2008.
08 de novembro de 2021
Nesse registro, faz-se importante esclarecer aspectos relativos à presença da população negra nas instituições. Ou melhor, a ausência dessa população que, ainda hoje, é colocada à margem nos diversos setores e políticas públicas.
Vale ressaltar que a partir dos anos 30, de acordo com o IPEA (2008), o ideal da democracia racial impõe-se como hegemônico, vigorando praticamente sem contestação até o final dos anos 1970. Contudo, durante todo o decorrer desse século, em que pese importantes mudanças sociais por que passou o país, seja no campo da modernização da economia, da urbanização, ou da ampliação das oportunidades educacionais e culturais, não se observou uma trajetória de redução das desigualdades raciais.
Ao examinar as desigualdades raciais brasileiras entre as décadas de 1940 e 1970, o referido Instituto apresenta estudos sobre mobilidade social concluem que a posição relativa dos negros e brancos na hierarquia social não foi substancialmente alterada com o processo de crescimento e modernização econômica ocorridos no país.
Conclui-se, assim, que a ausência, tão ou mais importante que a presença do racismo, foi a falta quase total de políticas públicas universais para a população mais pobre do país, na qual se encontrava concentrada a população negra. A falta de oportunidades educacionais, de políticas de proteção social e de quase qualquer política de inclusão no mercado de trabalho formal da população mais pobre foi tão eficaz para impedir a ascensão social da maioria da população negra quanto a permanência do racismo (IPEA, 2008).
REFERÊNCIA
IPEA. Diretoria de Estudos Sociais (Disoc). Desigualdades raciais, racismo e políticas públicas: 120 anos após a abolição. Brasília, 2008.
04 de novembro de 2021
Para iniciar as reflexões, será importante abordar o legado de Luiz Gonzaga Pinto da Gama para o Brasil. Romero (2020) esclarece que a referida personagem histórica foi uma criança negra livre, vendida para quitar uma dívida de jogo de seu pai, que conseguiu a alforria, estudou Direito e logrou libertar mais de quinhentas pessoas escravizadas.
Em texto publicado pelo portal Literafro (2021, s/p), da UFMG, registra-se que
Também como jornalista, ele teve uma atuação política bastante intensa: foi aprendiz de tipógrafo do jornal O Ipiranga, e redator do Radical Paulistano, no qual colaboraram, entre outros, Castro Alves, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa. Foi ainda responsável pela redação de O Polichinelo – primeiro periódico político satírico da cidade de São Paulo, o que faz Alberto Faria atribuir a Luiz Gama a fundação da imprensa humorística paulistana. Nessa linha, atuaria ainda em O Cabrião e O Diabo Coxo.
Vimos que além de advogar, Gama realizava conferências e publicava polêmicos artigos nos quais explicitava seus ideais abolicionistas, motivos pelos quais era perseguido e ameaçado de morte.
O portal Literafo complementa ainda que esse liberal exaltado foi o primeiro negro brasileiro a lutar contra os ideais de branqueamento da sociedade e pelo fim da escravidão. Mesmo debilitado pela doença, saía carregado em uma maca, para atender seus clientes desejosos da liberdade. Faleceu em São Paulo, em 24 de agosto de 1882, deixando uma emocionante carta-testamento ao filho, que se configura para nós, seus leitores de hoje, como vivo exemplo de homem público e literato que, mesmo diante das vicissitudes da vida, não abandona seus ideais.
REFERÊNCIAS
ROMERO, S. A vida e o legado de Luiz Gama, herói da liberdade. Disponível em: https://estadodaarte.estadao.com.br/luiz-gama-heroi-liberdade/, Acesso em 04 nov. 2021.
LITERAFRO. Luiz Gama (2021). Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/655-luiz-gama . Acesso em 04 nov. 2021.

