Por: Paulo Ricardo Zargolin
Eu sei o que sei sem ter certeza,
Pois minha fé tropeça na razão.
Desfaço o laço, reinvento a mesa,
E bebo a dúvida como oração.
No vão das regras, faço-me um amigo
Na contradição, minha coerência.
Não fujo do que ri ao estar comigo,
Nem nego o peso dessa minha essência.
O erro é bússola que me orienta,
A queda é um mapa no deserto.
Enquanto todos firmam o que lhes sustenta,
Eu busco o que vacila por estar certo.
Não quero o fim, mas gosto da jornada,
Do passo torto, da pergunta nua.
Pois toda sombra, ao ser interrogada,
Responde aos fragmentos da lua.
Assim caminho — ímpar, mas inteiro —
Entre o espelho e o feitiço antigo.
Sou o avesso do verbo verdadeiro
E a verdade escondida em qualquer abrigo.

