(baseado neste vídeo)
[abre com a voz pausada e olhos arregalados de quem tenta entender o fim da humanidade:]
Senhoras e senhores… o mundo acabou e esqueceram de avisar na bula.
Tá no ar mais um episódio do nosso apocalipse cotidiano: dessa vez, em react.
No vídeo acima, uma jovem relata que sua amiga — visionária, corajosa, completamente fora da casinha ou tudo isso junto — decidiu pedir ao ChatGPT uma lista de ingredientes para “ficar com energia o dia todo”. E a IA, sempre solícita e nunca regulada pela Anvisa, entregou a fórmula: guaraná, magnésio e um punhado de ignorância em pó. Cinco cápsulas por dia. Como se o corpo humano fosse uma planilha com déficit de cafeína.
A amiga não pensou duas vezes. Mandou manipular. Em farmácia real. Pote, lacre, etiqueta. Pronto: o suplemento espiritual da era digital.
[cut rápido para cara de espanto dramático:]
Sim, é isso mesmo: a geração que tem medo de tomar vacina está confiando a própria saúde ao ChatGPT.
O mesmo ChatGPT que às vezes confunde Sartre com Shakespeare, e já disse por aí que Lula é o presidente da Argentina (dependendo do prompt, claro).
[pit stop na ironia:]
Claro, o farmacêutico também manipula fórmulas. A diferença é que ele estudou pra isso. Já o GPT… leu.
Leu muito, é verdade — mas ainda não passou por uma residência médica. Nem mesmo um TCC em Fitoterapia Alternativa da Consciência Digital.
[zoom no escárnio:]
Aí você me pergunta: “Mas Paulo, e se der certo?”
Bom, se der certo, parabéns, você acabou de inventar a medicina xamânica 5G.
Mas se der errado, não adianta abrir chamado na OpenAI ou acionar o suporte técnico da sua farmácia. Porque o único botão de undo vai estar dentro do caixão.
[com ar grave e teatral:]
Vivemos uma nova era de fé. Não se acredita mais em anjos, mas em algoritmos.
A devoção mudou de altar: saiu da igreja, passou pelos gurus do Instagram, e agora repousa serena na caixinha do ChatGPT, versão gratuita ou Plus — depende da fé (ou do limite do cartão).
E enquanto isso, as pessoas seguem encapsulando promessas, embalando placebos com rótulos de “energia”, “foco”, “cura” e, claro, “autoajuda via prompt”.
[suspiro final, em tom cínico e resignado:]
É isso.
A inteligência é artificial, mas o surto é real.
Recomendo: cinco cápsulas de juízo por dia. Se não encontrar na farmácia, tenta pedir pro GPT.


