Qual a cor do céu?

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Discussão é o mote de um novo tempo.
Tempo em que a verdade ganhou tons plurais.
Cada indivíduo anseia ter um pedaço de papel lavrado em cartório, com carimbos e selos de oficiais e oficialas, atestando para todos os fins que são donos da razão.

Diante disso, peguei-me refletindo: e se amanhã a nova polêmica da internet for concernente à cor celestial?
Vai haver o grupo que dirá, de forma infantilóide e taxativa, que “é azul, oras!”.
Outros argumentarão sobre as tonalidades e matizes que se intercalam a depender do clima, do horário, da posição relativa da Terra entre todos os corpos que a circundam.

Mas de nada adiantará.
As verdades se esconderão em bolhas e, embora milhares de meios digitais para interação — fóruns, redes sociais, aplicativos — sejam propostos como instrumentos para acelerar reflexões e consensos, não adiantará!

Como bandos de aves que, por alguma razão, perderam contato com o magnetismo planetário, os pensamentos únicos irão se reafirmando em abóbadas artificiais: de um lado, o ciano, defendido com todas as matizes e gritos ensurdecedores; e, do outro, a torcida da profusão de cores com as quais pode se pintar o céu.

E, sem consenso, dormiremos sob tons incoerentes de críticos e especialistas da última hora: “ninguém pode afirmar com precisão, pois o céu é quem decide sua própria cor.”

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Uma resposta para “Qual a cor do céu?”

  1. […] Há palavras que vêm da escola, outras da avó, outras da televisão ligada na sala, outras de uma conversa atravessada, outras de um livro, de uma briga, de uma ausência, de uma alegria ridícula, de um susto. A […]

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