Pudim e Toddynho em: choro e saudade

Por: Paulo Ricardo Zargolin

De uns tempos pra cá, virei tutor (ou talvez assistente emocional) de dois filhotes de Shih Tzu com Poodle Toy. Misturinhas tão pequenas que, se caem do sofá, parece que o planeta ficou alto demais. Primeiro veio o Pudim, miúdo, dorminhoco e carente de leite morno em chuquinha. Uma semana depois, o destino achou de me testar: “Vai querer o irmãozinho dele?” — e eu, claro, aceitei. Afinal, ninguém merece crescer sem companhia, nem mesmo um cachorro que se acha gente.

Agora tenho também o Toddynho, pra completar a dupla que chora à noite como se o abandono fosse invenção minha. Testei de tudo: roupinha com meu cheiro, luz noturna, playlist de sons calmos. Mas nada substitui a presença.

A verdade é que os cães ensinam, sem discurso, o que a gente complica em tratados: afeto é coisa séria. Eles não sabem o que é conta pra pagar, nem trânsito, nem prazos no trabalho. Só acreditam que o amor não devia ter hora marcada.

E é aí que mora o dilema: há quem diga “cachorro é bicho, rua!”. Há quem trate como filho e poste foto de roupinha combinando. Entre os dois extremos, fico eu, aprendendo que cuidar não é humanizar demais, nem ignorar o instinto. É estar junto, mesmo quando o outro não fala nossa língua.

Talvez o choro noturno deles seja só saudade. Ou talvez seja um lembrete: no fim, somos todos seres à procura de colo, até os que fingem não precisar.

Fediverse reactions

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo