Este texto faz parte do arquivo histórico do Logosgrafia. Para conhecer a fase atual do projeto, visite também: O CONCEITO, ESTANTES, Crônicas Zargolinianas, Em bom português e Acervo.
Por: Paulo Ricardo Zargolin
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REYES e MONTEIRO (2010) |
ANDRÉ (1997) |
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| Origem/raízes dos procedimentos de investigação | Vimos que o Paradigma Indiciário baseava na semiótica e propunha análises qualitativas adotadas em práticas como a caça e a adivinhação, já a pesquisa etnográfica propõe-se a descrever e a interpretar ou explicar o que as pessoas fazem em um determinado ambiente os resultados de suas interações, e o seu entendimento do que estão fazendo. | Com base em instrumentos de observação e orientados teoricamente pelos princípios da psicologia comportamental, os estudos sobre a sala de aula vinham sendo realizados, até o final dos anos70, com análises de interação, que foram muito criticadas devido à circularidade interpretativa. A abordagem antropológica foi a solução encontrada pelos teóricos, pois “as interações de sala de aula ocorrem sempre num contexto permeado por uma multiplicidade de significados que fazem parte de um universo cultural que deve ser estudado pelo pesquisador”. |
| Características do bom observador | Como a observação do detetive depende do conhecimento de mundo anterior à investigação, o conhecimento é considerado como um fator relevante. Vimos que a teoria enfatiza também o poder de observação e dedução na relevância do papel do investigador como observador perspicaz, preparado para reconhecer em minúcias, valiosas pistas e seus significados dentro do processo de decifração do mistério. | Para que o observador possa registrar tudo aquilo que de mais relevante seja observado, o conhecimento da teoria que embasa o estudo é fundamental. Vimos que, através da busca de interpretação dos sistemas de representação, dos pontos de vista e das ações dos participantes, tentar reconstruir o real e aproximar-se gradativamente são características importantes que dependem, tanto do apoio teórico, quanto da experiência de campo. |
| Como o pesquisador/observador procede para coletar os dados | O observador deve reunir evidências que sejam relevantes para a solução do problema, contrastando-as com o conhecimento sobre o assunto, fundamentando a hipótese mais provável, que, posteriormente, “deve ser testada à luz de novas evidências, até que se chegue a uma verdade que tenha grande probabilidade de certeza”. | Deve buscar o centramento na descrição dos sistemas de significados culturais dos sujeitos estudados, “indo muito além da descrição de situações, ambientes, pessoas ou da mera reprodução de suas falas e de seus depoimentos”. |
| O docente deve ter o cuidado de desenvolver habilidades no que concerne à observação, haja vista que as teorias que fundamentam esse procedimento endossam sua importância para a prática de educadores, tanto no que condiz com as relações interpessoais entre alunos e professores, quanto ao que se arrola no cotidiano escolar. Portanto, o profissional que, durante a graduação, e mesmo depois dela, entra em contato com as fundamentações que concebem a observação, estará mais bem preparado para as situações do dia-a-dia, preocupando-se com problemas imperceptíveis a olhos leigos de outros que desconhecem tais teorias. | ||
REFERÊNCIAS
ANDRÉ, M.E.D.A. de. Tendências atuais da pesquisa na escola. Cad. CEDES, v. 18 n. 43 Campinas, 1997. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621997000200005&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 26 jul. 2011.REYES, C.R.; MONTEIRO, H.M. Olhando e observando. In: ___________. Um olhar crítico-reflexivo diante da realidade educacional. São Carlos : EdUFSCar, 2010, p. 12-18.

