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Por: Paulo Ricardo Zargolin
Becker (2011, p. 87), traz um quadrinho, no qual vimos uma professora que se contenta, dizendo ter experiência para ensinar, e, então, acaba demonstrando seu método, que incorre em um fracasso, haja vista que a flor, que representa uma aluna, apenas alterna respostas, sem ao menos refletir, o que a mestra pune com a ameaça de lhe tirar água “até que aprenda”.
Onofre, Pátaro e Onofre (2010) fazem as seguintes considerações sobre abordagens construtivista, histórico-cultural e dialógica:
1) Para Piaget, “o sujeito constrói seu conhecimento em seu contato com o mundo, em sua ação sobre os objetos, fenômenos, pessoas com os quais interage” (p. 41- 42);
2) No conceito defendido por Vygotsky “as interações entre os sujeitos são fundamentais para que haja aprendizagem” e no planejamento e ensino dos conteúdos escolares, “o professor deve levar em conta o contexto cultural e social de seus alunos e alunas, pois não é possível considerar desenvolvimento e aprendizagem sem considerar o meio histórico, cultural e social” (p. 50-55);
3) E Freire criticava a educação realizada de forma verticalizada, na qual o docente é o detentor dos saberes, e a pedagogia dialógica proposta por ele “vai além da concepção de formação e instrução intelectual da pedagogia tradicional e, nesse sentido, rompe com a ideia de que o professor deve ser o agente principal do processo educativo” (p. 57).
Logo, a professora do quadrinho parece desconhecer as contribuições dos teóricos de todas as abordagens que vimos, pois:
1) Desconsidera a construção do conhecimento e o processo de assimilação e acomodação que deveriam ser proporcionados à aluna, proposto por Piaget, no construtivismo;
2) Desrespeita o processo de aprendizagem da aluna, exigindo a resposta correta como forma de testar o conhecimento;
3) Desconsidera a teoria de Freire, que “rompe com a ideia de que o professor deve ser o agente principal do processo educativo, implicando na construção do diálogo, ato essencial, que só pode ocorrer entre iguais”.
Podemos concluir, então que nenhuma das abordagens que conhecemos com Onofre, Pátaro e Onofre (2010) faz parte do universo da professora do quadrinho, que, ao desconsiderar processos como assimilação e acomodação, do construtivismo; o desenvolvimento pessoal de cada aluno, da histórico-social; e o diálogo da pedagogia dialógica, dá evidências de seu despreparo.
É importante ressaltar a necessidade de se conhecer estas abordagens durante a formação docente, haja vista que estas embasam a prática profissional em sala de aula, tal como Onofre, Pátaro e Onofre (2010) fazem questão de minuciar de maneira tão clara e fascinante.
REFERÊNCIAS
BECKER, Fernando. O Que é Construtivismo? Disponível em:http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf Acesso em: 08 ago. 2011.
ONOFRE, E.M.C.; PÁTARO, C.S. de O.; ONOFRE, M.R. Sala de aula: espaço de encontro de culturas. São Carlos : EdUFSCar, 2010.

