Relatório de Observação

Por: Paulo Ricardo Zargolin

De acordo com Reyes (2010, p. 28), “de posse de informações provenientes das observações, o professor poderá encontrar respostas às questões relativas a eventos que ocorrem na sala de aula e reorganizar a sua prática pedagógica”, por isso, é muito importante que acadêmicos de licenciatura, sobretudo, em Pedagogia, tenham a oportunidade de realizar atividades que envolvam a observação e o registro.

Realizei a observação na Escola Municipal Profª Eljácia Moreira, localizada à Rua Tupinambás, 1766, no bairro Nossa Senhora Aparecida, em Jales, durante o domingo, dia 31 de julho de 2011, no ambiente de educação informal oferecido pelo Programa Escola da Família (PEF).

A escolha deste local ocorreu, pois, desde 03 de abril de 2010, sou Educador Universitário do PEF nesse estabelecimento de ensino, podendo ter contato com a comunidade daquele bairro e das adjacências, sobretudo, com as crianças que frequentam os projetos e oficinas ofertados nos finais de semana.

O relato que faço aqui aconteceu durante uma atividade de responsabilidade da educadora profissional e da gestora, respectivamente, Cláudia Ribeiro da Silva e Vilma Pinheiro de Azevedo Agostinho: a brinquedoteca.
Às 14h00, naquele dia, a professora Cláudia reuniu as crianças que, habitualmente, participam da oficina em questão, além de duas meninas que estavam participando pela primeira vez, na sala onde as atividades ocorrem. Ao todo, contávamos doze crianças na faixa dos oito a onze anos, sendo cinco meninos e sete meninas.

Durante o tempo em que participei como observador, das 14h00 às 14h20, pude compreender que o objetivo da brinquedoteca é estimular as brincadeiras do faz de conta, o desenvolvimento global da criança, a cooperação, a convivência, hábitos de responsabilidades na conservação dos brinquedos.

Ao adentrar a sala, foi possível notar que a educadora procurou organizar um espaço com brinquedos variados e educativos, tais como bonecas, carrinhos, caminhões, quebra-cabeça, jogos de montar, panelas, fogões, etc., possibilitando o acesso das crianças a um espaço preparado com uma grande variedade de brinquedos.
Bujes (2002) em seu estudo “A invenção do eu infantil: dispositivos pedagógicos em ação” cita o RCNEI (Brasil, 1998), que explica de maneira sintética o brincar durante o desenvolvimento de crianças, tais como as que foram observadas nesta oficina:

Ao brincar, jogar, imitar, criar ritmos e movimentos, as crianças também se apropriam do repertório da cultura corporal na qual estão inseridas. (BRASIL, 1998, v. 3, p. 15). […] As crianças se desenvolvem em situações de interação social, nas quais conflitos e negociação de sentimentos, ideias e soluções são elementos indispensáveis. (p. 31).

Durante a observação, as crianças escolhiam os brinquedos que mais lhes agradavam. Alguns meninos agarraram-se ao tabuleiro de xadrez, outros inventavam histórias que envolviam os carrinhos em suas mãos; as meninas, por sua vez, eram as mamães de algumas bonecas e, outra, menorzinha, a filha de uma delas.
Assim, comprova-se que:
O âmbito social oferece, portanto, ocasiões únicas para elaborar estratégias de pensamento e de ação, possibilitando a ampliação das hipóteses infantis. Pode-se estabelecer, nesse processo, uma rede de reflexão e construção de conhecimentos na qual tanto os parceiros mais experientes quanto os menos experientes têm seu papel na interpretação e ensaio de soluções. (BRASIL, 1998, v. 1, p. 31-32).

Algo que também pude observar foi que, conforme orientação da educadora, as crianças aram convidadas a organizar e guardar os brinquedos, sempre após o uso. Com uma linguagem acessível às crianças, ela impetrava respeito e conduzia as diversas brincadeiras que aconteciam concomitantemente, de acordo com as escolhas de cada um.

É interessante dizer que, tal como as experiências de si propostas pelo RCN colocam em funcionamento um código normativo para balizar as ações que comportam o ver-se, o expressar-se e o narrar-se, pretendendo levar as crianças a desenvolver capacidades ligadas à tomada de decisões, à construção de regras, à cooperação, à solidariedade, ao diálogo, ao respeito a si mesmas e ao outro, assim como desenvolver sentimentos de justiça e ações de cuidado para consigo e com os outros, foi o que pude encontrar naquele ambiente. (BRASIL, 1998, v. 2, p. 43).

Algo que vale a pena relatar é a possibilidade dada a todas as crianças da comunidade que, ao visitarem a escola, são convidadas a participar da Brinquedoteca, sem qualquer discriminação por parte da responsável pelas atividades ali desenvolvidas.

Portanto, acredito que a educadora estava ciente do seu papel, desempenhando habilmente a mediação, conduzindo com destreza as atividades ali realizadas naqueles poucos minutos, algo que, sem dúvida parte de sua experiência como professora e amante da profissão, que lhe confere dedicação no ensinar.

REFERÊNCIAS
BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, v. 3, 1998 apud BUJES, Maria Isabel Edelweiss. A invenção do eu infantil: dispositivos pedagógicos em ação. Rev. Bras. Educ. n.21, p. 17-39, 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n21/n21a02.pdf Acesso em: 06 ago. 2011.
REYES, C.R.; MONTEIRO, H.M. Olhando e observando. In: ___________. Um olhar crítico-reflexivo diante da realidade educacional. São Carlos : EdUFSCar, 2010, p. 12-18.

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