Por: Júlio César Wandekoken Filho
Um dos assuntos preferidos dos intelectuais da esquerda-caviar do Brasil é a ditadura de 1964. Segundo esses digníssimos senhores, a democracia foi usurpada pelos militares imperialistas, vilões nacionais que possuíam como objetivo a extinção da democracia e das liberdades individuais. Será que realmente foi o isso que aconteceu? Vamos dar uma breve recapitulada na história…
Para termos uma visão mais precisa se faz necessário voltarmos no tempo, mais precisamente em 1864, onde foi fundada a Associação Internacional dos Trabalhadores, conhecida por I Internacional. As internacionais, como ficaram conhecidas as organizações que pregavam o internacionalismo proletário, eram verdadeiras multinacionais ideológicas, que, com o objetivo de apoiar a luta de classes, passaram a fomentar e financiar partidos políticos marxistas em vários países. Esses partidos seriam totalmente subordinados às internacionais, seguindo a risca seus programas.
Em 1922, foi criado o Partido Comunista – Secção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC). Induzida por ordens de Moscou, o Partido Comunista brasileiro esforçava-se para por em andamento um movimento revolucionário no brasil.
Concluindo que o Brasil já estava pronto para uma ação revolucionária, a IC (Internacional Comunista) resolveu enviar alguns agentes para acelerar as engrenagens revolucionárias. No início de 1934 chegaram os agentes a mando de Moscou. O grupo de espiões instalou-se no Rio de Janeiro, e todos vinham com um único objetivo: Fazer uma revolução marxista no Brasil.
A primeira tentativa de tomada do poder pela via armada foi em 1935, a famosa intentona comunista. No início da noite de 23 de novembro, em Natal, na manha de 24, em recife e na madrugada do dia 27, no Rio de Janeiro começaram a por os planos em prática. Apenas no Rio Grande do Norte o levante ampliou-se, com participação restrita de alguns setores da população. Em recife a participação foi extremamente reduzida e no Rio de Janeiro a revolta restringiu-se a dois quarteis apenas. Apesar do mirabolante plano comunista, no dia 27 de novembro a intentona comunista já havia falhado.
Mas as tentativas de tomada do poder pelos comunistas não iriam parar por aí. Depois de se infiltrarem em diversos setores da sociedade, em quarteis militares, órgão estudantil como a UNE, UBES, os agentes marxistas começaram seu plano de doutrinar todos os setores da sociedade. Havia, inclusive, indicações sobre a possível existência de uma célula comunista no 4° Regimento de Infantaria, em São Paulo. Alguns anos depois, a comprovação da existência dessa célula veio de forma dramática: o Capitão Carlos Lamarca e o Sargento Darcy Rodrigues planejariam e executariam um ousado roubo de grande quantidade de armamento, impulsionando a luta terrorista no País.
A ordem no país começava a se abalar. Inúmeros suboficiais das forças armadas, já previamente doutrinados pelo comunismo, começaram a se mobilizar através do Clube dos Suboficiais, Subtenentes e Sargentos das Forças Armadas e Auxiliares (CSSSFAA). Em 11 de maio de 1963, os sargentos comunistas reuniram-se no auditório do Instituto de Aposentadoria e pensão dos comerciários (IAPC), no RJ. Falando em nome dos subtenentes e sargentos, o subtenente Jelcy afirmou:
“… Pegaremos em nossos instrumentos de trabalho e faremos as reformas, juntamente com o povo. Mas lembrem-se os senhores reacionários, o instrumento de trabalho dos militares é o fuzil!”
Com a disciplina militar já afetada e corroída pelo a ideologia comunista, em 12 de setembro de 1963 os sargentos de Brasília apossaram-se do Ministério da Marinha, da base Aérea, da área Alfa (da companhia de fuzileiros navais) do aeroporto civil, da rodoviária e da rádio nacional. Às 16 horas do mesmo dia a tentativa de golpe foi desmantelada e os envolvidos presos. Se as forças armadas estavam preocupadas, agora começaram a ficar atentas…
Em 04 de outubro de 1963, João Goulart, já seguindo a agenda comunista, solicita ao governo a decretação de um Estado de Sítio. Antes de a mensagem ser encaminhada ao congresso, determinou ao Governo que o Núcleo da Divisão Aéreo terrestre prendesse o Governador da Guanabara, que era um opositor convicto de Jango e da esquerda marxista. A ordem não foi cumprida, e o plano falhara.
Jango, de mãos dadas com o PCB, no discurso de fim de ano, criticou os políticos que se recusavam a apoiar as reformas, e adotou uma atitude mais agressiva com o capital estrangeiro, ao assinar, em janeiro de 1964 o decreto regulamentando a lei de remessa de lucros. Assim, Jango cedia aos objetivos do PCB.
Em 1963, o comunista Leonel Brisola, fez um discurso onde clamava à população a criar grupos de 11 pessoas, chamados de grupo dos 11 (G11), que iriam formar o “exercito popular de libertação”. Em sua deturpada mente, acreditava que estava criando algo parecido com o “exercito vermelho” da URSS. Defendendo a tese de que os fins justificam os meios, faz veladas ameaças sobre futuros atos do G11:
“[…] Em consequência, não nos poderemos deter na procura de justificativas acadêmicas para atos que possam vir a ser considerados, pela reação e pelos companheiros sentimentalistas, agressivos de mais ou até mesmo injustificados”.
Em 1964 Jango afirmou que o comando militar estava totalmente afinado com ele e que “se os generais estão comigo, não há razão para que os sargentos não estejam”. A solução era desfechar um golpe, amparado no esquema militar e nas forças populares, sob o pretexto de realizar as reformas de base.
Há algum tempo os militares estavam acompanhando o cenário brasileiro. Sentiam o temor do povo com o rumo que o país seguia. A rebelião dos marinheiros em 25 de março de 1964 foi à gota d´agua. 1.400 sócios da Associação de marinheiros e fuzileiros navais do Brasil abrigaram-se na sede do sindicato dos metalúrgicos, desafiando claramente as ordens para regressarem aos quarteis.
Em 29 de março de 1964, centenas de oficiais da Marinha reuniram-se no Clube Naval, contrariados com a quebra da disciplina e da hierarquia. Um manifesto ao povo brasileiro, assinado por mais de 1.500 oficiais da Marinha, declarava que chegava a hora do Brasil defender-se. O Exército proclamou solidariedade à Marinha. A imprensa aderiu. No congresso Nacional, dezenas de parlamentares pronunciaram-se contra a indisciplina cometida pelos oficiais doutrinados pelos comunistas.
Em 30 de março de 1964, no Automóvel Clube, Jango pretendia dar uma demonstração de força aos que o criticavam pela posição assumida no episodio da rebelião dos marinheiros, mostrando que tinha prestígio junto aos escalões menores das Forças Armadas. Dezenas de comunistas confraternizavam ali com militares. Inebriado com a calorosa recepção dos sargentos e incentivado pelos constantes aplausos, Jango fez um dos discursos mais inflamados de sua vida política. Defendeu os sargentos e marinheiros amotinados, discursou a favor das reformas de base, acusou seus adversários políticos e militares de estarem sendo subsidiados pelo capital estrangeiro, e ameaçou-os com as devidas “represálias do povo”. Fora seu ultimo discurso como presidente da republica.
A contra revolução de 31 de março de 1963 resultou de uma excepcional reação da sociedade brasileira à corrupção, à subversão, à estagnação econômica, à espiral inflacionária e à insegurança política e social, e cristalizou-se na manutenção do regime democrático. O povo brasileiro deixou claro sua vontade, e deste ponto de vista, o “golpe de 1964” foi uma simples contra revolução que quebrou a trajetória da tomada do poder pelos comunistas. Um exemplo claro da aceitação do povo brasileiro foi a Marcha da Família com Deus, pela Liberdade, congregando milhões de brasileiros que regozijavam com a vitória dos militares e a derrota dos comunistas.
Após meses de tensão, os políticos brasileiros podiam respirar aliviados, convictos do acerto das decisões tomadas. O senador e ex-presidente Juscelino Kubitshchek, assim se expressou: “É com o pensamento voltado para Deus, grato á sua proteção ao Brasil e ao povo, que saúdo a nossa gente pela restauração da paz, com legalidade, com disciplina e com a hierarquia restaurada nas Forças Armadas. A Paz não exclui, todavia, a vigilância democrática. O perigo comunista não estava, como se viu, no comportamento do povo e dos trabalhadores, ordeiros e democratas. O perigo comunista estava na infiltração em comandos administrativos”.
Com essa pequena viagem ao passado, podemos ver claramente que a contra revolução de 1964 não foi nada além da resposta do povo brasileiro às diversas tentativas de poder dos comunistas, que hoje são tidos como heróis nacionais, enquanto os verdadeiros heróis, aqueles que nos salvaram de um regime de terror, são julgados como os vilões da história. Apenas o conhecimento da historia de nossa nação e dos esforços de nossos heróis militares é capaz de nos libertar da ignorância fomentada pela atual e desonesta esquerda política brasileira. A história não termina aqui, os terroristas comunistas continuariam com suas tentativas de tomada do poder assim como continuariam a perpetuarem crimes horrendos, em nome de sua ideologia imposta dos confins de Moscou.
Júlio César Wandekoken Filho é empresário, leitor compulsivo, defensor do auto-didatismo como meio de impedir a doutrinação ideológica intelectualmente desonesta nas escolas e universidades e como meio de elucidação pessoal, crescimento intelectual e formação de opinião crítica.
