Linguagens

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Considerando o fato de que vivemos em um mundo letrado e que estamos sujeitos a diferentes práticas de letramento, devemos conhecer e saber utilizar essas práticas em diferentes situações ou determinados contextos não podendo assim deixar de valorizar as variações linguísticas, já que esta é relevante e indispensável, pois a identidade cultural do Brasil é formada por essa realidade.

Segundo Bagno (2009) apud Monteiro (2010), cada tipo de fala apresenta um valor social diferente. Dependendo das características da fala, a comunicação explicita um poder e desencadeia um preconceito linguístico.

Cabe ressaltar também, conforme destaca Monteiro (2010, p.47), que é função da escola permitir que todos se apropriem da linguagem padrão tradicional, para que possam compreender o processo levando o aluno “ao desenvolvimento de práticas de leitura e escrita que permitirão acesso a qualquer realidade linguística, porém o aluno não tem que esquecer sua origem”.

[…] todos os aprendizes devem ter acesso às variedades linguísticas urbanas de prestígio, não porque sejam as únicas formas ”certas” de falar e de escrever, mas porque constituem, juntos com outros bens sociais, um direito do cidadão, de modo que ele possa se inserir plenamente na vida urbana contemporânea, ter acesso aos bens culturais mais valorizados e dispor dos mesmos recursos de expressão verbal (oral e escrita) dos membros das elites socioculturais e socioeconômicas; o acesso e a incorporação dessas variedades urbanas de prestígio se fazem pelas práticas de letramento mencionadas acima, por meio do convívio intenso, sobretudo no ambiente escolar, com os gêneros textuais-discursivos mais relevantes para a interação social nos modos de vida contemporâneos (BAGNO, 2009, p. 13-14, apud MONTEIRO, 2010, p.45).

Assim, no intuito de erradicar o preconceito linguístico desencadeado pelo uso da linguagem padrão, esta proposta oferece ao professor alfabetizador a condição de tomar os devidos cuidados envolvidos com o desenvolvimento da oralidade, da leitura e escrita das crianças, nas séries iniciais.

A diversidade de textos escritos e falados em nossa sociedade, por exemplo, é muito grande, todavia, é fundamental conhecer as características dos diferentes gêneros textuais, a fim de uma maior comunicação social, já que o estudo destes é de extrema importância, quando selecionados para o desenvolvimento da oralidade, da leitura e escrita.

Ao trabalhar atividades que envolvam linguagens, o professor deve mostrar que a língua falada pelos brasileiros é uma só – a Língua Portuguesa – porém as pessoas a utilizam de formas diferentes, mudando a maneira de falar, dando nomes diferentes às coisas e objetos. Além disso, deve levar o aluno a compreender que o Brasil é um país com uma população heterogênea e que entre essas mudanças nas expressões e formas de falar, chamadas de variações linguísticas, não existe uma forma mais correta que a outra, e sim, mostrar que são apenas diferentes, fazendo assim, que valorizem o dialeto.

Cabe ao professor apresentar as diferenças geográficas na utilização da língua, que podem ser demonstradas, em diferentes contextos, em falas de “personagens” de diversas regiões do Brasil, tais como: “Aqui no Rio Grande do Sul, todos os guris brincam com pandorga”. “As crianças mineiras também brincam com a pandorga”. “Em São Paulo, os meninos, chamam isto de papagaio”. “Os piás do Paraná, brincam com pipa ou raia”.

Levando o aluno a entender as variações geográficas e sociais, é importante que o professor faça seu aluno conhecer a norma culta, uma vez que dependendo da situação, o falante deverá cuidar mais de sua fala, policiando-se para não cometer erros de concordância e de pronúncia, conforme as características da língua padrão, porém sem que exclua o seu próprio dialeto, mas desenvolvendo uma linguagem capaz de oferecer a si mesmo subsídios para que possa participar de forma crítica e adequada na sociedade.

REFERÊNCIAS

MONTEIRO, Maria Iolanda. Alfabetização e letramento na fase inicial da escolarização. São Carlos: EdUFSCar, 2010.

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