Por: Paulo Ricardo Zargolin
Ao analisarmos a História da Educação ao longo dos anos, veremos que o processo educativo, que envolve ensino e aprendizagem, sofreu e vem sofrendo grandes transformações. O termo alfabetização sempre entendido como aprendizagem do sistema da escrita foi ampliado. Já não basta aprender a ler e escrever. É necessário mais que isso para ir além da alfabetização funcional até mesmo porque estamos expostos e sujeitos a diferentes tipos de linguagem e escrita, devendo, portanto, saber lidar, quando usar, como usar e produzir diferentes práticas de letramento.
O letramento conquistou seu espaço a partir de 1980, com o objetivo de se diferenciar do ensino da codificação e decodificação dos sinais gráficos e de extrapolar o mundo da escrita, indo além do conceito de alfabetização. Nesse sentido, letrar é mais que alfabetizar. É ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2000), letramento:
[…] é entendido como produto da participação em práticas sociais que usam a escrita como sistema simbólico e tecnologia. São práticas discursivas que precisam da escrita para torná-las significativas, ainda que às vezes não envolvam as atividades específicas de ler ou escrever. Dessa concepção decorre o entendimento de que, nas sociedades urbanas modernas, não existe grau zero de letramento, pois nelas é impossível não participar, de alguma forma, de algumas dessas práticas (BRASIL, 2000, p. 23 apud MONTEIRO, 2010, p.23).
Dessa forma, a escola, espaço privilegiado para que ocorra tal processo, deve atender as demandas sociais, alfabetizar e letrar, pois ser alfabetizado, saber ler e escrever não basta, é preciso saber ler o mundo, entender e compreender diferentes mensagens e se comunicar por meio de deferentes textos e culturas.
Diante deste contexto percebe-se a diferença entre o processo de alfabetização e o letramento. São processos diferentes, mas que precisam caminhar juntos. A oralidade, a leitura e a escrita devem caminhar juntas e de diferentes formas.
O filme Escritores da liberdade, por exemplo, mostra de uma forma comovente e instigante, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. Apresenta a metodologia e o mecanismo utilizado pela professora que provocou transformações individuais e comunitárias. Assim compreende-se que a professora, sentindo a necessidade, diversificou sua metodologia de trabalho, utilizou diferentes tipos de textos, de função social, proporcionando aos alunos ferramentas que possibilitassem a interação entre professor aluno e sociedade.
Em suma, o professor precisa trabalhar com o aluno de diferentes formas a fim de proporcionar o letramento, ou seja, proporcionar o contato com diferentes textos, que possuam diferentes finalidades e funções sociais, pois o aluno está inserido nesta diversidade textual no convívio social. Este deve também valorizar e incentivar o uso da língua em usos diferentes, valorizar a linguagem e adequá-la aos diferentes contextos comunicativos, apresentar diferentes tipos de textos e suas características e usos sociais.
Por fim a escola e os professores responsáveis pela formação social do aluno devem formar leitores e escritores competentes para fazer uso nas suas práticas sociais de leitura e escrita.
REFERÊNCIAS
ESCRITORES da Liberdade. Direção: Randa Haines. Produção: Richard Lagravenese, 2007. DVD (95 min), son., color.
MONTEIRO, Maria Iolanda. Alfabetização e letramento na fase inicial da escolarização. São Carlos: EdUFSCar, 2010.

