Por: Paulo Ricardo Zargolin
Quando se pensa sobre as diferenças, as possibilidades e a flexibilização de ideias, recursos e comportamentos frente o ambiente escolar, é possível que se busque responder como a pluralidade pode conviver no mesmo espaço e como as relações humanas estão baseadas nos preceitos de cultura, nos valores estabelecidos no tempo e no espaço pelas sociedades.
Nesse contexto, a escola pode ser considerada impactada e ao mesmo tempo impactante da sociedade em que se insere e entende-se que a diversidade está presente em suas dependências não só pela matricula e aceitação dos mais variados segmentos econômicos e sociais, raciais ou políticos, mas nas vivências diária entre as pessoas que constroem o ambiente escolar.
Assim, para Freitas (2013, p. 23), “as situações que se desenrolam no cotidiano da escola são formativas e podem produzir transformações nas ações dos indivíduos e trazer re-significações à própria cultura, abrindo espaço para sua diversidade”. Mas, embora se saiba que a escola é um instrumento de valorização e preservação dessa intersecção de diferenças, muitas vezes tal variedade de pensamentos e cultura permanece negligenciada, sem que ocorra a integração ou adoção de práticas inclusivas.
Observa-se, então, que a escola ainda caminha rumo à plenitude de aceitação da diversidade. Infelizmente, muitas práticas se restringem à repetição de valores cristalizados e sem aprofundamento, remetendo à uma naturalização do diferente como algo superficial.
Além disso, nas vivências em ambiente escolar, é fácil verificar que nem todos os profissionais da Educação estão, de fato, engajados em realizar propostas pedagógicas que contemplem a diversificação, mas a diversidade cultural tem a cultura como repertório amplo de sentidos a serem apreendidos por todos e as instituições de ensino devem, sim, assumir essa responsabilidade.
De acordo com Ribeiro (2006, p. 74)
Por meio da cultura escolar se reproduzem as relações econômicas e sociais que ocorrem cotidianamente, com todas as suas contradições. Os diversos interesses dos grupos sociais, evidenciados através de conflitos, estão presentes na sociedade. E quando os conflitos inevitavelmente ocorrem na escola, há uma tendência ora de ignorá-los, ora de desconsiderá-los, ora de reduzi-los. Todas essas possibilidades demonstram o desrespeito com as diferenças, a desconsideração com o outro.
Assim, ao debruçar-se sobre o saber e a cultura do estudante, o educador deve respeitar e cultivar as diferenças criando oportunidades para expandir os conhecimentos, ampliar a convivência e a sensibilidade na formação do aluno. Veiga e Resende (1998) trazem a ideia de que, para educar, é fundamental respeitar e acolher características e ritmos diferentes dos aprendizes.
No Fórum de Discussões (2015), vimos que o principal desafio é desenvolver uma Pedagogia centrada no indivíduo e aberta ao diálogo para que todos se sintam acolhidos e capazes. Assim, ao promover a ideologia do pluralismo, deve-se atentar para as ações, refletindo a todo tempo; do contrário, corre-se o risco de reforçar o preconceito que se deseja eliminar.
É preciso, portanto, que o professor tenha uma postura consciente. Isso, aliás, é algo intrínseco à profissão e que pode/deve ser aperfeiçoado com a práxis em sala de aula, objetivando associar todas as questões e reflexões para a construção de uma prática menos excludente.
Há ainda que se fazer uma seleção rigorosa dos materiais didáticos, objetivando a qualidade dos ícones, figuras, textos e do conteúdo em si, para que possam ser efetivamente trabalhados em sala de aula. Afinal, o que é ensinado em sala de aula é decisivo na construção da identidade das crianças e essa construção depende da forma que é recebida pelo professor e as ações (re)significadoras da própria cultura do aluno. Assim, percebe-se que a educação emancipadora é um espaço social para a valorização cultural e, dessa forma, deve propiciar oportunidades educacionais para o encontro de diferentes saberes.
REFERÊNCIAS
FÓRUM de Discussões. AI-1 – Escola e a Diversidade. (2015). Disponível para discentes da UFSCar. Acesso em: 21 jul. 2015.
FREITAS, Denise. Cultura no espaço da diversidade, sustentabilidade e inclusão. São Carlos: EdUFSCar, 2013. (Coleção UAB-UFSCar).
RIBEIRO, Sandra Mara Martins. A diversidade cultural no cotidiano escolar: uma abordagem da educação multicultural. 118 f. Dissertação: Mestrado em Educação – Universidade Estadual de Maringá: Maringá, 2006.
VEIGA, Ilma Passos Alencastro; RESENDE, Lúcia Maria Gonçalves. (Orgs). Escola: espaço do Projeto Político Pedagógico. Campinas: Papirus, 1998.

