Os saberes de Morin

Por: Paulo Ricardo Zargolin

O conhecimento, segundo Morin (2000) não pode ser visto como algo pronto e acabado, tendo em vista que, durante sua construção, há o envolvimento de uma série de motivações vindas do mundo interno – tais como desejos, necessidades, sonhos – e do mundo externo. O autor (2000, p. 19) destaca, ainda que “a educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja, em grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão”.

Vimos ainda que as interações entre indivíduos “produzem” a sociedade, que, por sua vez, retroage sobre os sujeitos. Neste sentido, a sociedade precisa refletir qual é futuro que deseja para geração vindoura. Considerando-se ainda que a democracia nem sempre é democrática, o individualismo deveria ter menor destaque, dando lugar ao pensamento coletivo. Nesse contexto, o ser humano deveria ser mais humano e menos materialista e a educação deve arquitetar tal cenário, com a possibilidade de um equilíbrio a partir do momento que o homem buscar para si o seu próprio equilíbrio, humano, cósmico e cultural.

Nesse sentido, Freitas (2013, p. 76), acrescenta que

as ideias de Morin têm inspirado nossas ações de ensino e de pesquisa e vão ao encontro das 10 características1* que temos elegido para diagnosticar currículos “ambientalizados” na formação de professores e elaborar planos de ensino em disciplinas escolares que tenham como perspectiva a educação para a sutentabilidade.

Analisa-se ainda que pensar a sociedade em suas múltiplas estruturas é um grande desafio para os educadores; articular formas de saberes construídos, recorrer a outros saberes que estão postos na perspectiva da modernidade na sociedade, enfim, criar oportunidades para que esses saberes venham contribuir de forma positiva na ressignificação da vida coletiva sob o abrigo destas estruturas que estão postas nos parâmetros da modernidade.

Estamos vivenciando, segundo Morin (2000), uma espécie de busca de um paradigma maior, capaz de abrigar tais transformações que se processam com velocidade incrível, não sendo possível uma separação nítida entre o concreto e o subjetivo. E a tomada de ciência desse “grande paradigma do Ocidente” do saber articulado homem-natureza leva à autonomia da mente. Para tanto, caberia à educação no processo ensino-aprendizagem, ensinar a condição humana com base na razão, mas também na afetividade, na emoção.

Em suma, na educação do futuro, deve se ainda tomar cuidados especiais com o egocentrismo, com o etnocentrismo e sociocentrismo, o espírito redutor, estabelecer uma espécie de base sólida para a compreensão, para a ética e para as culturas planetárias.

Portanto, Morin (2000) inspira o esboço de uma educação capaz de atuar coerentemente num processo de uma sociedade globalizada, conviver dignamente com a diversidade, com a singularidade, coma especificidade em escala planetária.

 

REFERÊNCIAS

FREITAS, Denise. Cultura no espaço da diversidade, sustentabilidade e inclusão. São Carlos: EdUFSCar, 2013. (Coleção UAB-UFSCar).

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. (1921). Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. 2. ed. São Paulo: Cortez ; Brasília, DF: UNESCO, 2000.

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