Por: Paulo Ricardo Zargolin
Ouvindo a Déborah Blando, cantando suavemente a letra de Paulo Coelho, Raul Seixas e Marcelo Motta, na qual afirmam com veemência o fato de quem gosta de maçã irá gostar de todas, comecei uma profunda instrospecção acerca do símbolo que escolhi para este espaço.
Em uma pesquisa rápida, descobri que há maçãs de diferentes variedades, com origens e características distintas. É possível saborear a Gala, a Fuji, a Granny Smith, a Red Delicious, a Honeycrisp, a Pink Lady, a Braeburn, e a Golden Delicious, por exemplo1 .
E, observando que cada tipo dessa mesma fruta tem um uso diverso, que vai desde o consumo direto da macieira até o cozimento em tortas, tive um insight que pretendo compartilhar.
A analogia da canção, que remete ao poliamor e à defesa da permissividade em relacionamentos monogâmicos, segue uma premissa errada, uma vez que as maçãs, como comprovamos, não são todas iguais. E isso valeria ainda que as comparássemos dentro da mesma variedade.
Para além da correlação com o amor condescendente, há ainda a possibilidade de extrapolar essa analogia para o mundo do trabalho. Sobretudo no que diz respeito ao serviço público. Alguns servidores, entendendo que não são valorizados – ainda que cumpram todas suas atribuições – tendem a executar mal as tarefas que lhes são exigidas. O que não é tão diferente da seara corporativa.
Nesse sentido, muitos optam por ir perdendo seu sabor. Vão se tornando maçãs tão insossas que até quem gosta não quer provar (mais uma vez, contrariando a Déborah). E, suponho, que não é isso que desejamos, nem no amor nem no trabalho.
O ideal é que saibamos o valor das nossas cascas, texturas e sabores. Que comparados às maçãs tenhamos, nas nossas diversidades, muito mais serventia. E que tanto os amores quanto os patrões saibam que nosso sabor é inigualável.
Nesse mesmo sentido, refleti sobre este espaço. Sei que a internet está repleta de (des)informação e que muitos estão ocupados demais e que preferem passar o tempo livre em redes sociais – uma das razões pela qual eu parei de publicar.
Mas eu sei o quanto a escrita significa para mim. Nisso, eu fico com Almir Sater: é preciso conhecer o sabor das massas e das maçãs. E ainda que ninguém leia, essa é a minha textura. É dela que quero crer que, algum dia, sementes serão extraídas. Meu fruto nunca será insosso! E o seu?
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1 Para quem se interessar, preparei um Guia, com as origens, aparências e sabores das diversas maçãs.

