Um brinde à inteligência!

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Sete anos se passaram desde os últimos escritos publicados neste espaço. Sim, foi um período sabático, digamos. E muita coisa mudou nesses últimos tempos. Então, eu me senti na obrigação de seguir os ventos da mudança por aqui também.

Para me ajudar nessa tarefa, recorri ao Dall·E1 e, por essa razão, todas as imagens que passaram e passarão a ilustrar cada um dos posts foram e serão criadas pelos poderes da famigerada inteligência artificial, com uma exceção, que explicarei a seguir.

Não é de hoje que sou adepto às tecnologias. Lembro-me claramente do dia em que vi pela primeira vez um computador. Era um Windows 98 do meu tio. Fiquei admirado com as possibilidades daquela máquina fantástica. E este olhar de menino sempre brilha quando percebo avanços tecnológicos.

Ocorre que os progressos foram tantos e em tão curto espaço de tempo que surpreenderam até quem trabalhou na programação de IAs como ChatGPT ou Gemini. Hoje, seu uso é discutido em escolas e na preparação de aulas e demais documentos burocráticos do campo pedagógico. Discute-se até sobre a institucionalização da prática na maior rede de ensino da América Latina. E isso é inteligente?

Inteligência é um conceito complexo que engloba várias habilidades cognitivas, incluindo a capacidade de aprender, entender, raciocinar, resolver problemas, tomar decisões, adaptar-se a novos contextos, e aplicar conhecimentos em diferentes situações. Na psicologia, a inteligência é frequentemente associada à capacidade de lidar com desafios e obstáculos da vida de maneira eficaz.

Nesse sentido, Charles Spearman2 sugere a existência de uma inteligência geral que influencia todas as tarefas mentais, junto com habilidades específicas que afetam desempenhos em áreas particulares. Já Howard Gardner3 argumenta que existem várias inteligências independentes, como a inteligência lógico-matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, interpessoal e intrapessoal. E Robert Sternberg4 divide a inteligência em três aspectos: analítico, criativo e prático, sugerindo que diferentes contextos e tipos de problemas exigem diferentes tipos de inteligência.

E essas ferramentas são capazes de fazer tudo isso? Quanto às IAs, observa-se a busca em criar sistemas que possam realizar tarefas que normalmente requerem inteligência humana, como compreender linguagem natural, reconhecer padrões, e aprender com experiências. E é aí em que a humanidade vence a artificialidade.

Deveria ser óbvio que usar um recurso tecnológico disponível em favor da execução das tarefas de forma mais prática, rápida e com menor grau de sofrimento é uma escolha inteligente. Contudo, o uso de qualquer ferramenta pressupõe expertise do usuário. Nesse aspecto é que as IAs superam alguns humanos. Sobretudo aqueles que substituíram uma boa leitura por horas de “arrasta pra cima” em uma tela, consumindo bobagens e inutilidades. Ser fútil é abdicar do direito a aprimorar a própria inteligência. 

Para o meu retorno, falando desse tema que tanto me fascina, eu proponho um brinde à inteligência, com uma foto tirada e editada por mim mesmo, enquanto ouço “Metamorfose ambulante”, no Spotfy, tocada pela Alexa. E a OpenAI poderá se gabar de que  a maioria das imagens que ilustram meus artigos são de sua propriedade, mas não a que dá cor a esse post. 

Ferramentas novas requerem habilidades novas de quem vai usá-las. Então, estudar, ler e pesquisar as possibilidades do uso responsável da tecnologia como aliada para uma rotina menos densa pode ser a resposta certa para uma dúvida cruel: “espelho, espelho meu será a IA mais inteligente do que eu?”. Espero que você brinde comigo, respondendo um sonoro “não”.

_________________

1 Dall·E é uma tecnologia de inteligência artificial desenvolvida pela OpenAI que pode gerar imagens e arte a partir de descrições textuais. A ideia é que você forneça uma descrição detalhada do que gostaria de ver, e o sistema usa essas informações para criar uma imagem que corresponda à descrição. Por exemplo, se você descrever um “gato tocando piano sob a luz da lua”, Dall·E tentará gerar uma imagem que ilustre essa cena. Existem diferentes versões dessa tecnologia, como Dall·E 2 e Dall·E 3, cada uma com aprimoramentos em relação às capacidades de geração de imagens, detalhamento, fidelidade e controle sobre os aspectos da imagem gerada. A tecnologia é baseada em modelos de linguagem, semelhantes aos que são usados para entender e gerar texto, mas adaptados para entender e produzir imagens. (CHATGPT, 2024)

2 Teoria da Inteligência Geral (g).

3 Teoria das Inteligências Múltiplas.

4 Teoria Triárquica da Inteligência.

Fediverse reactions

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

2 respostas a “Um brinde à inteligência!”

  1. […] A coragem de transformar em música algumas ideias que, até então, estavam apenas rascunhadas em um bloco de notas surgiu deste vídeo (de Leon Martins e Nilce Moretto), dissertando sobre algumas IAs que estão sendo implementadas no cotidiano e que vêm gerando preocupações devido aos riscos de seu uso de maneira indiscriminada, como mencionado em meu post de reestreia. […]

  2. […] 1. Um brinde à inteligência! […]

Deixe um comentário

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre logosgrafia

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo