Justificando #01 – Infâncias em desenvolvimento

JUSTIFICANDO

Infâncias em desenvolvimento

brincar, aprender, sentir e conviver

Dez questões. Dez oportunidades de pensar antes de marcar. Neste primeiro conjunto do Justificando, percorremos temas ligados ao desenvolvimento infantil, à brincadeira, à linguagem, aos vínculos, às emoções e à convivência. Leia, reflita e escolha suas respostas. O gabarito vem depois.

QUESTÃO 1

Piaget, Vygotsky e a construção do conhecimento

Diferentes estudiosos se embrenharam nos estudos sobre os jogos. Dentre eles, destacamos Piaget e Vygotsky, que adotam o papel ativo da criança na construção do conhecimento durante as atividades lúdicas. Com relação a esses dois estudiosos, analise as afirmativas a seguir:

I. Para Piaget, o professor é um formulador de altos desafios para a construção do conhecimento. Vygotsky, por sua vez, acredita que o professor é mediador e que cada criança tem dentro de si outros, muitos outros.

II. Para Piaget, o conhecimento é o resultado de uma relação evolutiva entre a criança e o meio.

III. Vygotsky traça um paralelo entre o brinquedo e a instrução escolar, afirmando que ambos criam uma zona de desenvolvimento proximal.

IV. Na perspectiva vygotskiana, é papel do professor ser o mediador do processo de ensino e aprendizagem.

V. Para Piaget, as crianças atravessam, numa mesma sequência, diferentes estágios de desenvolvimento intelectual. Algumas podem desenvolver-se mais depressa do que as outras enquanto aprendem a adaptar-se ao mundo ao seu redor.

a) Somente a afirmativa I está correta.
b) Somente a afirmativa II está correta.
c) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

Antes de assinalar…

Piaget e Vygotsky atribuem à criança um papel ativo no desenvolvimento, mas explicam esse processo a partir de referenciais distintos. Enquanto a tradição piagetiana enfatiza a construção progressiva do conhecimento na interação entre sujeito e meio, a perspectiva histórico-cultural destaca especialmente a mediação social e as possibilidades de desenvolvimento produzidas nas relações com outras pessoas.

Para pensar: observe menos palavras isoladas e procure identificar se cada descrição é coerente com a concepção de desenvolvimento atribuída ao respectivo autor.

Referências: PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: LTC. VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes.


QUESTÃO 2

O que a criança aprende quando brinca?

O jogo e a brincadeira são, por princípio, educativos, pois por meio deles as crianças aprendem inúmeras lições. Classifique as sentenças como verdadeiras (V) ou falsas (F):

a) O jogo integra várias dimensões da personalidade: afetiva, social, motora e cognitiva.

b) Atividades lúdicas proporcionam prazer aos seus participantes.

c) Atividades lúdicas permitem à criança ser menos egocêntrica.

d) Brincadeiras solitárias favorecem a parceria e a cooperação.

e) O jogo como valor social fortalece as normas de cooperação e amplia o senso de responsabilidades.

Antes de assinalar…

Brincar não mobiliza uma única dimensão do desenvolvimento. Dependendo da brincadeira, entram em cena movimento, imaginação, linguagem, afetividade, negociação, tomada de decisões e relações sociais. Mas é importante distinguir aquilo que uma atividade pode favorecer por sua própria organização daquilo que depende da interação com outras crianças.

Para pensar: uma experiência realizada individualmente produz necessariamente os mesmos processos sociais que uma experiência compartilhada?

Referência: KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez.


QUESTÃO 3

Cuidar também é educar?

Ao tratar sobre os cinco campos de experiência, a BNCC toma as experiências significativas do cotidiano como vias para a construção de conhecimentos. Nesse sentido, é correto o que se afirma em:

a) Para as experiências serem significativas elas devem fazer sentido para a criança, sem a necessidade de estarem apoiadas em vínculos profundos e estáveis com os educadores e colegas.

b) Momentos como o da alimentação e da troca de fraldas são ricos para aprendizagem, pois o cuidado é indissociável do processo educativo.

c) O desenvolvimento da consciência sobre a responsabilidade pessoal independe da percepção da criança de ser cuidada.

d) A expressão verbal e não verbal infantil são meios espontâneos e naturais de comunicação, sendo a sua estimulação desnecessária.

Antes de assinalar…

Na Educação Infantil, situações aparentemente rotineiras não ficam fora do currículo. Alimentação, higiene, descanso, interação e comunicação compõem experiências nas quais as crianças estabelecem vínculos, constroem autonomia e atribuem sentidos ao mundo.

Para pensar: desconfie de alternativas que separam rigidamente dimensões que a Educação Infantil procura compreender de maneira integrada.

Referência: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.


QUESTÃO 4

Intencionalidade, vínculo e parceria

Associe cada item a seu respectivo significado:

1. Intencionalidade educativa;
2. Vínculo educador-criança;
3. Parceria família-escola.

( ) Via de fortalecimento às crianças com apego primário inseguro à medida que lhes transmitem segurança, uma estrutura organizada, nutrição física e afetiva, rotinas e suporte emocional.

( ) Importante elemento para construção de um ambiente que proporcione o protagonismo da criança em observar, questionar, levantar hipóteses, concluir e se apropriar de conhecimentos através da interação com o mundo a sua volta.

( ) Potencializa as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças, uma vez que fomenta a prática do diálogo e o compartilhamento de responsabilidades.

a) 3 – 2 – 1
b) 2 – 1 – 3
c) 1 – 2 – 3
d) 2 – 3 – 1

Antes de assinalar…

Os três conceitos se relacionam, mas não são sinônimos. Um diz respeito à ação pedagógica deliberadamente organizada; outro, à qualidade da relação construída entre adulto e criança; e o terceiro amplia essa relação para a corresponsabilidade entre duas instituições fundamentais na vida infantil.

Para pensar: procure identificar, em cada descrição, quem se relaciona com quem e qual é a finalidade predominante dessa relação.


QUESTÃO 5

Quando uma caixa deixa de ser apenas uma caixa

Piaget classifica os jogos em três tipos de acordo com as estruturas mentais: jogos de exercícios, jogos simbólicos e jogos de regras. Sobre a importância do jogo simbólico para o desenvolvimento infantil, marque a opção INCORRETA:

a) O jogo simbólico possibilita à criança a realização de seus sonhos e fantasias, permitindo viver num mundo de faz de conta.

b) O jogo simbólico tem como função assimilar a realidade, seja através da resolução de conflitos, da compensação de necessidades não satisfeitas ou da simples inversão de papéis.

c) No período compreendido entre os dois e seis anos de idade, a atividade lúdica se apresenta sob a forma de jogo simbólico.

d) O que caracteriza o jogo simbólico é o conjunto sistemático de leis — as regras — que assegura a reciprocidade dos meios empregados.

Antes de assinalar…

No jogo simbólico, um objeto, uma ação ou uma situação pode representar outra coisa: a caixa vira carro, a criança assume um personagem, uma situação cotidiana é reconstruída no faz de conta. Na classificação piagetiana, entretanto, jogo simbólico e jogo de regras correspondem a formas distintas de atividade lúdica.

Para pensar: procure a alternativa cuja definição parece pertencer a outra categoria de jogo.

Referência: PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: LTC.


QUESTÃO 6

O que fazer com os medos infantis?

Sobre os medos na infância é correto afirmar que:

a) Todos os medos observados em crianças são resultantes de experiências negativas que ela teve.

b) Atividades lúdicas e estímulo à representação dos medos através de expressão gráfica e de brincadeiras favorecem a aproximação gradativa e aumentam a sensação de regulação da criança sobre seu próprio medo.

c) Manter a criança longe daquilo que ela tem medo ajuda a minimizar os medos.

d) Minimizar o medo da criança com frases facilita o controle da ansiedade dela.

Antes de assinalar…

Os medos fazem parte do desenvolvimento e não precisam resultar necessariamente de uma experiência traumática concreta. O adulto pode acolher o sentimento e oferecer condições para que a criança o expresse e, gradativamente, desenvolva recursos para lidar com ele.

Para pensar: entre negar o medo, evitar indefinidamente aquilo que o provoca e criar condições seguras para elaborá-lo, há concepções bastante diferentes de desenvolvimento emocional.


QUESTÃO 7

Linguagem é muito mais do que falar

Sobre o desenvolvimento da linguagem na infância é correto afirmar que:

a) Apenas a linguagem oral tem função comunicativa na infância.

b) A linguagem humana se assemelha à linguagem de outros animais pela capacidade que humanos e animais têm de simbolizar.

c) A aquisição linguística é um elemento fundamental, mas não suficiente para a inserção social da criança.

d) Ao longo dos primeiros quatro anos da criança não é preciso estar atento a marcadores de atraso de linguagem, pois se espera que todos os fonemas tenham sido adquiridos apenas aos cinco anos de idade.

Antes de assinalar…

A comunicação infantil antecede e ultrapassa a fala. Gestos, expressões, movimentos, olhares e diferentes formas de representação participam das interações desde muito cedo. Ao mesmo tempo, adquirir linguagem é parte de um processo de desenvolvimento que acontece em relações sociais muito mais amplas.

Para pensar: fique atento às alternativas construídas com exclusividades e generalizações como “apenas”, “todos” e “não é preciso”.


QUESTÃO 8

Competências socioemocionais

As habilidades socioemocionais englobam um conjunto de elementos. Segundo o CASEL, grupo de pesquisadores que estuda o desenvolvimento emocional, estes elementos são:

a) Autoconsciência, autorregulação, consciência social, habilidades de relacionamento.

b) Reconhecimento de faces, empatia, consciência social e habilidades de relacionamento.

c) Autoconsciência, autorregulação, linguagem e consciência social.

d) Reconhecimento de emoções, controle inibitório, consciência social e empatia.

Antes de assinalar…

Modelos de aprendizagem socioemocional procuram organizar competências relacionadas à compreensão de si, ao manejo das próprias ações e emoções, à percepção do outro e à construção de relações.

Para pensar: mais do que reconhecer palavras pertencentes ao campo socioemocional, identifique a organização conceitual adotada pelo referencial citado no enunciado.

Referência: CASEL — Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning.


QUESTÃO 9

Relações que também educam

Avalie as afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F):

1. O processo de adaptação da criança à escola é facilitado pela experiência do professor, independentemente da proximidade que estabelece com seus alunos e seus familiares.

2. Quando há boa comunicação entre família e escola, a aprendizagem e o desenvolvimento da criança são facilitados.

3. Para as crianças nada deve ser tão fácil que não as incentive a pensar, nem tão difícil que desistam de tentar.

4. Valorizar os aspectos positivos do comportamento da criança costuma ter um efeito maior do que a repreensão de seus aspectos negativos.

a) F – V – V – V
b) V – F – F – F
c) F – V – F – V
d) F – V – F – F

Antes de assinalar…

Desenvolvimento e aprendizagem não dependem apenas da experiência técnica do adulto. Vínculos, comunicação com as famílias, desafios adequados às possibilidades infantis e formas de intervenção do educador interferem na qualidade das experiências vividas pela criança.

Para pensar: observe especialmente expressões absolutas, como “independentemente”. Em questões educacionais, elas frequentemente alteram profundamente o sentido de uma afirmação.


QUESTÃO 10

Pertencer sem deixar de ser singular

Na BNCC enfatiza-se a importância do sentimento de pertencimento a um grupo, além do respeito e da valorização das diferenças culturais. Quais das experiências abaixo podem estimular o desenvolvimento?

a) Utilizar recursos estruturados em atividades desenvolvidas de forma individual, considerando as singularidades de cada criança.

b) Fomentar a cooperação por meio de atitudes como emprestar o brinquedo, pois são mais efetivas que os jogos realizados em grupo.

c) Ajudar a criança a reconhecer, validar e aprender a lidar com as próprias emoções, auxiliando no reconhecimento das semelhanças e diferenças com o outro, respeitando as singularidades.

d) Priorizar o desenvolvimento de brincadeiras estruturadas que considerem duplas ou pequenos grupos.

Antes de assinalar…

Pertencimento e singularidade não são ideias opostas. A convivência permite que a criança construa uma percepção de si ao mesmo tempo que reconhece outras maneiras de sentir, agir, viver e participar do grupo.

Para pensar: procure a alternativa que articula o reconhecimento de si ao reconhecimento do outro, sem transformar nem a individualidade nem o trabalho coletivo em um fim isolado.

Referência: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

Hora de justificar

Já marcou as dez respostas?

No Justificando, encontrar a letra certa é apenas parte do caminho. O mais importante vem agora: compreender por que aquela resposta se sustenta.

Logo abaixo, os assinantes Semente encontram o gabarito completo deste conjunto, acompanhado de comentários breves sobre cada questão.

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