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Por: Paulo Ricardo Zargolin
No século XX, a escola sofreu processos de profunda e radical mudança. Segundo Bittar (2009), ela expandiu-se e, ao mesmo tempo, adquiriu caráter mais ideológico. Afirmou-se como central na sociedade e essa centralidade só foi ofuscada no final do século pela revolução técnico-científica, pelo advento da “indústria cultural” e a preponderância da mídia.
No entanto, durante o desenrolar de nosso enredo, a autora nos apresenta o seguinte contexto: um século de contradições, de conflitos, de duas guerras mundiais, da Revolução Russa, de disputas ideológicas, da ascensão do fascismo e do nazismo e de guerras localizadas que se prolongam ainda hoje.
Porém, o século XX foi também o século das conquistas de direitos, das lutas operárias e estudantis, das vozes antipedagógicas dos jovens. Vimos com Bittar que novas emergências se fizeram presentes na educação: o feminismo, a questão ecológica, a questão das etnias. Concordemos ou não com a tese sobre o mito da educação, o certo é que no século XX houve uma forte aspiração por educação, que prossegue hoje.
Quanto ao debate educacional, este período sofrera influência de duas grandes correntes teóricas: a Escola Nova e a concepção marxista. Segundo Manacorda, apud. Bittar (2009), esses dois pensamentos, embora identificados, respectivamente, com o capitalismo e o socialismo, ora se afastam, ora confluem. “O século, segundo ele, assistiu e ainda assiste a um fecundo diálogo, direto ou a distância, entre pensadores liberal-democráticos ou burgueses e pensadores e pedagogos socialistas: diálogo em que há momentos de encontro e momentos de choque”.
Ainda segundo o autor citado pela condutora de nossos estudos, nenhuma das duas correntes foi integralmente aplicada, pois se é lícito afirmar que os regimes socialistas não conseguiram concretizar as teses de Marx sobre educação, o mesmo se pode dizer sobre os países capitalistas, que também falharam na concretização das teses burguesas. No tocante a tais teses (universalização, laicização, estatização, gratuidade e obrigatoriedade, coeducação), o socialismo assumiu criticamente todas as instâncias da burguesia progressista,censurando-a por não tê-las aplicado conseqüentemente; acrescentou- lhes de próprio uma concepção nova da relação instrução-trabalho (o grande tema da pedagogia moderna) e tende a propor a formação de um homem omnilateral.
Falando agora, um pouco de cada uma dessas tendências, a fim de compará-las, veremos que Bittar delineia claramente suas semelhanças e contraposições, abrilhantando as reflexões que, porventura, tracemos ao longo de nossa jornada acadêmica, no tocante à história da educação.
A Escola Nova foi a corrente pedagógica de maior influência na história da educação do século XX, e John Dewey (1859-1952) o seu maior teórico. As suas ideias encontraram ampla aceitação no mundo todo, inclusive no Brasil, onde Anísio Teixeira foi seu mais destacado seguidor. Mas, o que devemos entender por Escola Nova? Bittar (209) escolheu citar o próprio Dewey em sua obra Experiência e educação (1937), quando escreveu que “o nascimento do que se chama nova educação e escolas progressivas é em si um produto do descontente respeito à educação tradicional. Com efeito, é uma crítica desta última”.
De acordo com nosso guia, enquanto a Escola Nova tornava-se referência pedagógica nos países capitalistas, o marxismo influenciava a educação na Rússia pós-revolucionária e, depois, nos países que se alinharam à União Soviética. Essas duas correntes representativas dos blocos antagônicos, porém, não foram aplicadas inteiramente em concordância com seus princípios fundamentais. Em outras palavras: nem foi construída uma rede de escolas novas capaz de substituir a velha escola nos países capitalistas, nem a pedagogia marxista se concretizou fielmente de acordo com as formulações de seus criadores. No primeiro caso, vimos que Dewey alertava para o fato de que o caminho da nova educação não poderia ser facilmente seguido como o velho caminho. Conforme suas palavras no trecho que transcrevemos, o maior perigo que ameaçava o futuro da nova educação era a ideia de que fosse um caminho fácil.
Apenas para não me alongar mais, encerro aqui minha resenha sobre os esclarecimentos de Bittar, mais uma vez, elogiando seu trabalho que incute tão bem os conceitos mais marcantes e significativos para a formação do pedagogo contemporâneo.
REFERÊNCIA
BITTAR, Marisa. História da educação : da antiguidade à época contemporânea — São Carlos : EdUFSCar, 2009.

