A formação humana e a Filosofia da Educação

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Antes de iniciar minhas reflexões, desejo falar sobre a importância de se estudar a Filosofia. É sabido que o processo de aquisição dos conhecimentos pelo homem passa, principalmente, por indagações a respeito de um problema e o levantamento de hipóteses. É aqui que a amante do saber lança o seu véu e seduz o pesquisador, desvelando artifícios e perspectivas que vão sendo definidos e redefinidos através dos séculos.

A Filosofia da Educação, portanto, não foge às honras da metodologia, iniciada por diálogos livres e resultantes em discussões fundamentadas em observação e desenvolvimento de teorias. Observamos sua práxis com as falas de Severino (2006), quando afirma que a natureza da educação implica igualmente explicitar o lugar e o papel da Filosofia da Educação, como esforço de interpretá-los visando assim revelar o verdadeiro sentido da prática social.

É, sem dúvida, muito interessante refletir. Essa é a proposta da qual o educador precisa tomar consciência, haja vista que, de acordo com nosso texto-base (Severino, 2006, p.623), o objeto de preocupação e estudo da filosofia da educação, são as condições reais de educação, tais como se desenham a cada momento histórico.

Vimos então que estamos tratando de uma reflexão analítica e crítica sobre a problemática da educação, com o propósito de tentar decifrar o seu sentido possível. Severino (2006, p.619) faz ainda uma reflexão acerca da educação, entendida como formação humana e aponta os sentidos que essa formação “recebeu ao longo de nossa tradição filosófica e na contemporaneidade, uma vez que ocorreram mudanças nas concepções que os homens fizeram do ideal de sua humanização”.

Durante a leitura, é possível que busquemos entender as três dimensões da educabilidade humana: 1) ética, na época da antiguidade, visava a formação para que as comunidades se tornassem mais justas; 2) política, durante a modernidade, objetivando a integração do homem à sociedade; e 3) cultural, no período contemporâneo, o qual até hoje enfrenta desafios e mantém diálogo com as outras duas visões anteriores.

É importante ressaltar que “essa reflexão sobre a natureza da educação implica igualmente explicitar o lugar e o papel da Filosofia da Educação, como esforço hermenêutico de desvelamento da prática educacional, tal como ela precisa se desenrolar nas mudadas condições histórico-culturais da atualidade” (SEVERINO, 2006, p.619).

Gostaria de deixar claro também que a filosofia oferece um progresso quanto reflexão conceptual acerca da educação, reorganizando a prática docente, com o intento de adequar o ensino e todos os ingredientes que colaboram na construção da educação.

Compreendemos (…) que a educação está aberta a questionamentos, e, por isso, acredita-se que a Filosofia é uma das muitas alternativas para se tentar pensar a educação como instrumento de transformação social.

(…)

Ao final, posso destacar que a Filosofia nos move ao interesse da reflexão e nos torna sujeitos críticos, sobretudo na educação, cujo papel fundamental nesta relação entre as ciências oferece subsídios necessários para realizar uma reflexão dos processos educativos com o propósito de achar soluções para as problemáticas que surgem.

REFERÊNCIA

SEVERINO, A. J. A busca do sentido da formação humana: tarefa da Filosofia da Educação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.32, n.3, p. 619-634, set./dez. 2006.

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