Vertentes do processo de conhecimento

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Com Aranha (2006), vemos que duas importantes correntes filosóficas procuravam explicar como se abrolhava o conhecimento humano, dando origem a duas concepções divergentes: o racionalismo e o empirismo.

É importante destacar que, ainda de acordo com essa autora, o racionalismo considerava que para que se pudesse chegar à verdade sobre a natureza das coisas é necessário elevar a razão e os princípios inatistas. Além disso, de acordo com os racionalistas, o homem não poderia ter opiniões incertas sobre tudo o que se sente ou se percebe sensorialmente.

Contudo, segundo os escritos de Aranha (2006), para esses teóricos, pode-se chegar a um conhecimento seguro sobre aquilo que apreendemos com nossa razão.

Para entender como se explica o processo educativo baseado nessa vertente, consideremos as palavras de Aranha (2006): as teorias racionalistas “dão ênfase ao sujeito, que teria de antemão “formas”, ideias inatas que funcionariam como condição de qualquer conhecimento”.

Nesta perspectiva, “a educação surge como um processo de atualização, no sentido de tornar presente, atual, o que cada um tem em potência”. (ARANHA 2006, s/p). Ainda segundo a autora, “caberia ao professor dar condições para que essas potencialidades venham à tona, para que sejam desenvolvidos os dons inatos”.

A partir de da filosofia de John Locke, a autora sintetiza as principais características da corrente empirista, destacando a crítica do empirismo à noção de ideias inatas. (ARANHA, 2006, s/p).

Para os empiristas, de acordo com Aranha (2006, s/p) o conhecimento provém, sobretudo, da experiência, haja vista que não haveria, para eles, outra fonte do conhecimento senão a experiência e a sensação.

O empirismo, como vemos, opõe-se ao racionalismo inatista, admitindo a existência no indivíduo de princípios de conhecimento evidentes, porque acredita que o fundamento de todo conhecimento é a experiência. (ZUIN e RIPA, 2009, s/p).

Para esses teóricos, a mente é totalmente vazia de conteúdo enquanto não vivemos uma experiência sensorial, ou seja, não há nada na mente que já não tenha passado pelos sentidos, ou seja, o homem não nasce com ideias inatas ou com uma visão do mundo já formada.

Já nas teorias pedagógicas fundamentadas no empirismo, “o objeto tem primazia”, o que explica a “importância do meio, da transmissão dos conhecimentos acumulados e, portanto, do conhecimento como ‘descoberta’”. (ARANHA, 2006, s/p).

Ainda de acordo com Aranha (2006), nessa perspectiva, o sujeito seria de certa forma passivo, receptivo ao conhecimento, que viria de fora e só em segundo momento incorporado pelo sujeito e transformado em conteúdo mental.

A partir dessas considerações e de toda a tessitura de Zuin e Ripa (2009) é possível compreender quão importantes foram estas correntes no diálogo que estas estabeleceram com a construção do conhecimento humano, haja vista que divergiam nas concepções, mas investigavam com primor a beleza de se “conhecer”, seja através da razão – que focalizava o olhar na razão – ou da sensação – explicando o mundo por meio das experiências sensíveis.

REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da educação. 3 edição. p. 160-161; 165-166. São Paulo: Moderna, 2006.

ZUIN, A.A.S.; RIPA, R. Filosofia da educação. São Carlos: UAB-UFSCar, 2009.

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