A educação jesuítica e as reformas pombalinas

Por: Paulo Ricardo Zargolin

Sinteticamente, podemos dizer que as terras brasílicas conheceram a escola desde 1549, ou, tal como apontado por Ferreira Jr. (2010), quase desde o primeiro momento em que os lusitanos aportaram por aqui.

Vimos, porém, que, a escola nascera com “o estigma de não ser para todos”, ou seja, “ficou excluído da educação escolar de caráter propedêutico o grande contingente da população colonial, formado pelos escravos desafricanizados, índios, mestiços e brancos pobres” (FERREIRA JR, 2010, p. 32).

O autor nos revela ainda que, para estas pessoas, desde a infância, estava reservado apenas o trabalho braçal, “acrescido de um pouco de instrução destinada às chamadas artes mecânicas”, na qual vimos que a aprendizagem, para as crianças consistia na imitação das habilidades desenvolvidas pelos adultos.

As reformas pombalinas, contudo, constituíram-se em descontinuidade sem ruptura no âmbito da história da educação colonial, pondo fim ao “sistema de ensino” montado pela Companhia de Jesus desde a segunda metade do século XVI; sem mudar em nada a essência da educação que era ministrada no interior dos colégios jesuíticos.

Nas palavras de Ferreira Jr. (2010, p. 32), “as reformas empreendidas pelo marquês de Pombal extinguiram os colégios jesuíticos e colocaram no seu lugar as aulas régias”, porém, como vimos, os conteúdos continuaram os mesmos: “as disciplinas das artes liberais (humanidades), descuradas das ciências da natureza em pleno século XVIII, ou seja, o século da ascensão da burguesia ao poder do Estado”.

É preciso destacar também que, nesse contexto, “a educação escolarizada era destinada a uma pequena elite agrária e escravocrata que estava desassociada do mundo do trabalho”. Para essa parcela da população cabia apenas a instrução como mecanismo de ilustração e manutenção do poder político, mantendo, logicamente, o ensino da gramática latina, do grego e da retórica como os principais conteúdos a serem ministrados nas aulas régias.

REFERÊNCIA

FERREIRA Jr., A. História da Educação Brasileira: da Colônia ao século XX. São Carlos : EdUFSCar, 2010, p. 17-47.

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