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Por: Paulo Ricardo Zargolin
Para entender o porquê o Brasil ainda não tem uma educação obrigatória, pública, laica e para todos, é necessário refletirmos sobre os dizeres de Ferreira Jr. (2010) que desenha habilmente a expansão quantitativa da escola pública, que, como sabemos, realizou-se de forma ineficiente, porque negligenciou o aspecto central da educação escolarizada, quais sejam: os conhecimentos clássicos acumulados historicamente pela humanidade.
O referido autor nos fala que, durante toda a primeira metade do século XX, apesar de todas as reformas realizadas, a educação brasileira continuou sendo elitista e excludente, tal como fora na Colônia e no Império.
Evidenciamos ainda que a transição autoritária que se operou entre a sociedade agrária e a urbano-industrial, a partir de 1930, impôs a necessidade econômica e social da escolarização dos filhos das classes populares, mesmo que de forma lenta e gradual.
Para Ferreira Jr (2010), as elites econômicas e políticas que governavam o Brasil continuaram formando seus filhos na velha tradição das escolas primárias, dos colégios secundários e dos cursos superiores (Direito, Medicina e Engenharia) que remontavam aos primórdios elitistas da educação brasileira.
O binômio educacional baseado no elitismo e na exclusão mantinha-se com o traço distintivo que sempre caracterizou a história da educação brasileira, haja vista a conhecida dualidade das escolas segundo as classes sociais.
Conclui-se que o Estado Novo, coerente com os regimes políticos ditatórios da época, de acordo com Ferreira Jr. (2010, p. 78), transformou a escola em um aparelho de reprodução da ideologia dominante no âmbito do governo, pois exigia que o ensino secundário propagasse uma ideologia política definida em termos de patriotismo e nacionalismo de caráter fascista.
REFERÊNCIA
FERREIRA Jr., A. História da Educação Brasileira: da Colônia ao século XX. São Carlos : EdUFSCar, 2010, p. 49-81.

