Este texto faz parte do arquivo histórico do Logosgrafia. Para conhecer a fase atual do projeto, visite também: O CONCEITO, ESTANTES, Crônicas Zargolinianas, Em bom português e Acervo.
Por: Paulo Ricardo Zargolin
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CAMINHOS para a inclusão. Direção de Sílvia Gadinho. Produzido por TV Cultura / TV Escola – Ministério da Educação. (Toda Criança é Única – A Inclusão na Educação Infantil). 2007. Colorido. 26 min.
Resumo:
No segundo episódio da série Toda Criança é Única – A Inclusão na Educação Infantil buscou-se apresentar aos professores das escolas públicas brasileiras experiências positivas de inclusão na educação infantil. Neste vídeo, conhecemos a história de Nicolas, cadeirante que se alimenta com sonda, e está no 2º Jardim. Comunicativo, ele sabe explicar sua situação aos outros e, com o apoio da família e as adaptações da escola, segue frequentando as aulas e aprendendo a lidar com as dificuldades do dia-a-dia.
Vimos também a luta da família, sobretudo da mãe, para que o garoto pudesse frequentar uma escola, encontrando a EMEI Jardim de Praça Cantinho Amigo. Nesta instituição, acolhe-se realidades advindas de diferentes bairros da cidade, com múltiplas realidades familiares, contextos sócio-culturais plurais, produtores de desejos e necessidades distintas. Esta diversidade, como vimos, traz infinitas possibilidades de ação, reflexão e intervenção na tentativa de superar barreiras que dificultam a convivência que podem impedir o desenvolvimento de cada um.
Desta forma, Caminhos para a Inclusão é um vídeo que apresenta meios de fazer com que cada um possa oferecer o melhor de si e romper seus limites na busca do crescimento e da aprendizagem.
Transcrição de Trechos
“Até a década de 80, era forte a segregação. Então, (…) havia um movimento social de Direitos Humanos internacional muito forte. E no Brasil, esses movimentos já eram muito fortes de garantir o direito à escola. Então, os pais, os professores achavam que era impossível uma criança com deficiência neuromotora (…), ou uma pessoa cega, ir para a escola regular. Então, se defendia a escola especial, se defendia a classe especial. E nós lutávamos, já nesse momento histórico, pela integração: colocar as crianças na sala regular”. (Marilda Bruno, especialista em Educação Especial).
“A nossa sociedade tá cada vez mais se preparando (…) pra conviver com pessoas que até então estavam um pouco escondidas” (Gisele Pelc, professora).
“Acho que nós vamos chegar à sociedade inclusiva, se as crianças forem, desde cedo, à Educação Infantil. Que tiverem esta oportunidade, não só no sentido do desenvolvimento humano, numa visão humanística da educação, mas também (…) no sentido de oferecer as oportunidades de participação da cultura. Então, o acesso ao letramento, acesso à informação, acesso às artes. A Educação Infantil traz, reforça, o lúdico, o movimento, a brincadeira, o prazer, a construção de vínculos – afetivos e de solidariedade – e isso é fundamental para todas as crianças”. Então, as crianças com necessidades especiais que vêm à escola, crianças com algum tipo de deficiência, elas não precisam de um Currículo diferente, elas não precisam de um Currículo especial, (…) de uma Escola especial, elas precisam disto, que é o que oferece a Educação Infantil. (Marilda Bruno, especialista em Educação Especial).
“A gente entende que o espaço da escola é um espaço de inclusão. (…) As crianças, principalmente na faixa etária que a gente trabalha, estão saindo do aconchego familiar e as primeiras pessoas que elas conhecem somos nós”. (Lilian Pereira, professora).
“Dentro da sala de aula, é muito mais fácil trabalhar no grupo do que se trabalhar uma criança especificamente. Lidar com aquela criança que tenha determinada dificuldade. Porque, no grupo, tu trabalha com eles todas as diferenças: cada um com as suas limitações, com seu ritmo, com as suas (…) dificuldades”. (Lilian Pereira, professora).
“Os brinquedos são uma coisa que estimulam bastante. A hora do brinquedo é uma hora importante, tanto para a socialização, quanto para a autonomia dele [o menino Nicolas] mesmo, porque a gente procura deixar ele interagir com os colegas”. (Gisele Pelc, professora).
“Pra ele, tudo é novidade, tudo é ótimo. Cada vez que ele aprende uma coisinha nova na escola, ele chega, ele conta. Ele fica feliz com aquilo. Um espaço que é dele, onde ele fica longe de mãe, de irmão. Eu acho que isso, pra ele, tá sendo bastante importante, porque ele tá aprendendo a ter responsabilidade”. (Nida Adrione, mãe do Nicolas).
“E aqui ele tem um espaço de saúde. Ele se sente acolhido, então, ele é uma criança mais feliz. Ele tá de bem com a vida. Isso é inclusão: não fazer da deficiência, da dificuldade, um problema, só achar um outro jeito, um outro arranjo”. (Margarete Ruppenthal, professora).

