ENTREVISTA: Concepções sobre criança e infância e sobre inclusão e exclusão

Entrevista realizada em 17 de agosto de 2011

Sirlene Aparecida Marconato, 39 anos, trabalha como docente há oito anos e, atualmente, desempenha suas funções na EMEI Prof.ª Gema Aparecida Prandi Rosa, em Jales.

Local da entrevista: EMEI – seu local de trabalho, às 14 horas.

E: Antes de qualquer coisa, gostaria de lhe agradecer pela disponibilidade. Então, vamos começar?

S: Vamos…

E: Com quantos anos você está?

S: Trinta e nove…

E: Atualmente você está lecionando, certo?

S: Sim, aqui mesmo, na Prof.ª Gema, que é uma Escola Municipal de Educação Infantil.

E: E você é graduada em Pedagogia mesmo?

S: Sim, sou.

E: E você fez ou está fazendo mais algum curso? Graduação, especialização ou pós…?

S: Sim, estou fazendo uma pós, na UNESP. Especialização em Atendimento Educacional Especializado na perspectiva da Educação Inclusiva. É um curso que tem como objetivo apoiar o desenvolvimento da atividade docente nas salas multifuncionais implantadas pela SEESP, no sistema público de ensino, não sei se você conhece…

E: Não estou lembrado. É presencial?

S: Não, não. É à distância, pela UAB. Vou ao Campus de Marília quando necessário.

E: Por que escolheu a docência como profissão?

S: Para mim, a docência é algo que atrai no sentido de nos prepararmos para a vida. É uma troca de conhecimento.

E: A que turma você pertence e qual a faixa etária dos alunos?

S: Dois e três anos de idade.

E: Quantos anos de experiência você tem enquanto docente?

S: Oito anos, precisamente.

E: E, nesse período, você já presenciou algum tipo de preconceito entre alunos?

S: Sim, com toda certeza.

E: E qual foi a sua postura perante a situação?

S: A orientação é enfatizar o respeitar ao próximo e conscientizá-los sobre a importância das diferenças individuais.

E: Avaliando as escolas em que já atuou, você acredita que a maioria possui infraestrutura adequada para atender a todas as necessidades dos alunos, principalmente os com deficiências físicas, ou seja, há preocupação com os alunos portadores de necessidades especiais?

S: Atualmente, os prédios estão sendo construídos para atender a essa demanda e, foram feitas reformas nos que já existiam.

E: E o que você acha que precisa mudar?

S: Eu não diria que é necessária alguma mudança, mas, acredito que o que demanda tempo e trabalho é quanto aos recursos humanos e pedagógicos.

E: Você acredita que a dedicação e acompanhamento familiar são tão essenciais quanto à educação escolar na vida dos alunos com alguma deficiência?

S: Sim, os dois precisam caminhar juntos; um contribui com o outro, tem que haver troca de informações.

E: Você prefere o tratamento individual ou sempre coletivo no comando de uma sala de aula diversificada?

S: O coletivo, na maioria das vezes; individual, quando for necessário.

E: Você sentiria dificuldade em lidar com a sala de aula, tendo outros educadores atuando como intérpretes no mesmo ambiente?

S: Não tive essa experiência, mas acredito que é um trabalho em equipe e que só vem a contribuir no processo de aprendizagem.

E: Você acredita que a interação com alunos especiais traz benefícios para os outros alunos?

S: Sim, pois a inclusão envolve a todos e, o convívio exige adequações tanto na parte física como na pedagógica.

E: E de que forma isso aconteceria?

S: Com novos materiais e metodologia deverão fazer parte do conjunto.

E: No que a atuação pedagógica deve mudar para melhor atender a realidade da diversidade em sala de aula?

S: A atuação pedagógica deve ser dinâmica e envolver toda uma equipe, e, para isso, é necessário o aperfeiçoamento de recursos humanos e tecnológicos.

E: Qual o método ou a forma de ensino que você recomendaria para os professores que ainda estão ingressando no mercado, no que diz respeito a lidar com as “desigualdades” de forma natural e ao mesmo tempo produtiva?

S: O professor deve estar aberto para o novo, ou seja, estar sempre aprendendo; valorizar seu educando como uma pessoa que tem direitos e deveres; ter a consciência de que pode ser útil e acreditar que seu trabalho vale a pena.

E: Para você, qual a importância do docente empenhado e qualificado na vida de seus educandos, principalmente na fase da infância do aprendiz?

S: A importância está no fato de o professor ser o orientador e, portanto, ele passa a ser um modelo para seus educandos.

E: Você se considera uma educadora capaz de atender a todas as necessidades dos alunos, bem como oferecer um ensino de qualidade?

S: Não exatamente. Meu compromisso é procurar atender as necessidades dos educandos. Mas, se ocorrer algo fora do meu alcance, e eu notar que estou com dificuldades, naquele momento, tenho a consciência que devo recorrer à ajuda de alguém mais experiente.

E: Certo. E por quais motivos você acredita que essa é a coisa certa a se fazer?

S: Porque o professor tem que ter a consciência que ele não é o dono da verdade, porém quanto mais preparado estiver melhor para todos.

E: E quais procedimentos você adotaria ao descobrir casos de bullying no ambiente escolar em que você atua?

S: Creio que, se isso acontecesse, esse problema poderá ser trabalhado como tema de projeto pedagógico envolvendo toda a escola.

E: E, para terminar, eu gostaria de saber quais são suas perspectivas para uma educação de qualidade no Brasil.

S: O Brasil, quanto à educação, ainda está caminhando. Sabemos que existem analfabetos, mas há uma grande valorização da educação pela maioria, ou seja, os brasileiros tem consciência da importância da educação, portanto educação de qualidade para todos.

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