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ZARGOLIN, Paulo Ricardo; XAVIER, Vanessa Aparecida Alves
Tempos Modernos (CHAPLIN, 1936) refere-se a uma crítica ao modernismo e ao capitalismo representado através da industrialização, onde o operário robotizava-se em uma rotina baseada na incansável linha de montagem de uma indústria.
A origem da palavra trabalho vem de tripaliu, que em latim vulgar significa instrumento de tortura, conforme FERREIRA (1986). Na língua portuguesa, trabalho significa ocupar-se em algum mister; exercer seu ofício; aplicar a sua atividade. Enquanto algumas pessoas veem o trabalho como uma tortura, outras admitem ser um mister, uma atividade primordial na sociedade humana.
Carlitos, personagem principal interpretado por Chales Chaplin, é um trabalhador que manuseia a máquina e come ao mesmo tempo, deixando claro o excesso de trabalho ao qual era submetido e após o término de sua jornada, se comportava como se ainda estivesse exercendo sua função.
Sob uma saturação, Carlitos adoece e é internado em um sanatório. Ao retonar, depara-se com a crise de 29, na qual as empresas estavam falindo e o país passava por uma grande miséria. Vê-se obrigado a ir a busca de um novo emprego para que pudesse sobreviver à toda aquela crise.
Aqui, podemos fazer um parêntese, explicando que, sendo tortura ou ocupação, o trabalho pode ser considerado intrínseco à existência humana, sendo realizado pelo homem como condição para sua sobrevivência.
Em meio a toda confusão que acontecia na cidade, como protesto e greves, ele acaba sendo confundido com um agitador comunista e é preso. Após algum tempo, o operário é solto pela polícia por agradecimentos, uma vez que ajudou na prisão de um traficante que tentava fugir. Em meio a outras prisões posteriores conhece uma moça pela qual se apaixona.
O operário consegue alguns empregos dos quais não se mantém em nenhum. Acaba trabalhando com a moça em um café, onde expressa o prazer de trabalhar em algo gratificante e criativo.
Chaplin (1936) consegue transmitir uma ideia clara de como o mundo capitalista e industrial nos escravizou (e escraviza até os dias de hoje), nos robotizando, à exercer sempre nossas mesmas funções e viver em uma eterna ameaça de estafa com a correria diária, a poluição sonora, as confusões entre as pessoas, os congestionamentos, as multidões nas ruas, o desemprego, a fome e a miséria.
Vimos que o objetivo do capitalismo é a obtenção do lucro. Para que esse objetivo seja alcançado, o sistema capitalista possui a capacidade de criar condições para a reprodução do capital. Ao fazer um breve levantamento histórico, observamos que, desde a fase inicial, o sistema vem passando por mutações de tal forma a fortalecer seus alicerces.
Para Werneck (2010),
o capitalismo é inegavelmente uma das mais complexas fontes de divergências e reflexões de todos os tempos. Seu entrelaçamento com a Psicologia pode ser observado, com facilidade na forma como as empresas se relacionam com que se denomina hoje de capital humano.
O autor pondera ainda que em tempos de sociedade de consumo, o homem desempenha um papel diferente daquele que lhe era atribuído à época da sociedade de produção. Para ele, “como consumidor passa a ter um poder diferente; um poder que lhe confere poder”.
Bauman (1999 apud WERNECK, 2010) ressalta, entretanto, que a diferença entre a sociedade de consumo e a sociedade antecessora – a de produção – não deve ser encarada como tão radical.
Ainda assim, entende-se que é necessário dar alguma atenção à sutil diferença do colaborador consumidor para o empregado produtor.
Destarte, vimos erigir a hipótese de que as formas de relação interpessoal a serem estabelecidas num sistema capitalista voltado para a vontade do sujeito exercer o seu papel social, qualquer que seja esse papel, serão igualmente voltadas para o controle de variáveis relacionadas a tais empenho e desempenho.
REFERÊNCIAS
CHAPLIN, C. Tempos Modernos. Título Original: Modern Times. P&B. Legendado. Dur. 87 min. Warner, 1936.
FERREIRA, Aurélio. Buarque. Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2ª ed., 1986. 31ª Impressão.
WERNECK, B. Psicologia e capitalismo: reflexões acerca das relações entre sujeitos e máquinas modernas. Psicologia Clínica, v. 15, n. 5. mai/2010. Disponível em: Acesso em: 16 mar 2012.

