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Por: Paulo Ricardo Zargolin
A compreensão do mundo estará sempre atrelada a uma sensibilidade mais ampla que aquela da visão, e, para Pátaro e Moruzzi (2009), é nesse marco mais amplo que se constrói a subjetividade.
No documentário A Janela da Alma (2002), revelações pessoais e inesperadas são tecidas sobre vários aspectos relativos à visão, quais sejam: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade se é que ela é a mesma para todos.
Para Leite (2008, grifos meus), a construção do sujeito no documentário traz consigo escolhas que vão além das ferramentas cinematográficas técnicas, ou seja, vinculando-se com padrões presentes numa determinada sociedade e com a forma com que o diretor ou realizador se relaciona com tais padrões.
Entendemos, então, que o mundo não é algo objetivamente dado, que pode ser apreendido desde que se tenha a visão como ferramenta básica, mas sim algo que é construído por cada sujeito, dotado de limitações e capacidades.
Ainda para Pátaro e Moruzzi (2009) devemos reconhecer que, diante das situações, fenômenos ou de objetos com os quais temos contato, “enxergamos” apenas uma parte. Em outras palavras, “nosso olhar sempre é, de certa forma, direcionado, pois selecionamos alguns elementos que julgamos mais significativos a partir de nossas experiências e conhecimentos anteriores, visão de mundo, sentimentos, valores, representações, crenças etc” (p. 18).
A partir das ideias de Moreno (1999 apud PÁTARO e MORUZZI, 2009, p. 19), é possível dizer que nossa visão de mundo será sempre parcial por levar em conta determinados elementos da realidade e não outros.
É preciso, segundo Pátaro e Moruzzi (2009), sempre termos consciência de que nossa perspectiva é apenas um ponto de vista que pode ser complementado por outros olhares. Além disso, devemos aprender a identificar, compreender e articular diferentes olhares, questionar nossas próprias concepções e buscar sempre perceber para além daquilo que sabemos. Estes são importantes pontos de partida para uma melhor compreensão da realidade, que é complexa, multidimensional e, por vezes, até incerta e ambígua. Em outras palavras, “todas as vezes em que nos deparamos com algo novo, procuramos compreendê-lo, compará-lo e significá-lo a partir de outras coisas que já conhecemos, que nos são importantes e que fazem sentido em um determinado momento” (p. 19).
Vimos, finalmente, que o contato com a realidade escolar pode nos auxiliar no processo de ressignificação de nosso olhar sobre a escola, entendendo que, com isso, é possível a conscientização e questionamento de muitas de nossas crenças, valores, concepções, medos e expectativas, haja vista que, ao refletir sobre várias passagens de minha experiência escolar e, ao compará-las com o conhecimento que tenho hodiernamente sobre o funcionamento do processo de ensino aprendizagem, bem como a dinâmica reflexiva que deve ser conduzida pelo professor ao longo de sua prática, fica claro que a percepção trata-se de uma unidade capaz de adequar-se às experiências do sujeito percebedor.
REFERÊNCIAS
JANELA da Alma. Direção de João Jardim e Walter Carvalho; Produção de Flávio R. Tambellini. Rio de Janeiro: Copacabana Filmes, 2002, 1 DVD (73min).
LEITE, Lucimeire Vergilio. A visão e o olhar: A Janela da Alma e a apresentação da subjetividade. (2008). Disponível aqui. Acesso em: 30 jan. 2012.
PÁTARO, C.S. de Oliveira; MORUZZI, A. Braga. O Olhar sobre a escola. In: PÁTARO, C.S. de Oliveira (Org.). Prática de ensino 3: a escola como espaço de análise e pesquisa. EdUFSCar : São Carlos, 2009. p. 11-31.

