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Por: Paulo Ricardo Zargolin
Como enfatiza Carmo (2012), na velhice as perdas sensoriais, físico-motoras e cognitivas são visíveis. Pode-se, de certa forma, afirmar que é um período no qual, mais particularmente, o adulto começa a lidar com perdas bastante previsíveis.
Apesar de alguns avanços nos cuidados aos idosos e no resgate de sua dignidade, e mesmo diante de dados de pesquisa apontando para as possibilidades de ganhos na qualidade de vida, para Pinheiro (2009), ainda há um terreno enorme a ser percorrido. Uma das tarefas dos educadores e de outros profissionais ligados às ciências da educação é o auxílio ao idoso no gerenciamento de sua vida quanto às perdas acentuadas e aos ganhos possíveis ao longo de suas trajetórias de vida.
Nesse contexto, de acordo com Carmo (2012), novos desafios surgem: busca de adaptações às novas condições que o corpo impõe; a chegada dos netos e netas e dos genros e noras, aumentando a extensão da família; as novas responsabilidades com a chegada dos netos e a possibilidade de se sentirem novamente valorizados em função das experiências acumuladas em anos.
Adultos mais velhos precisam avaliar, resumir e aceitar sua vida para poderem aceitar a aproximação da morte. Eles se esforçam para obter um senso de coerência e de integridade, em vez de ceder ao desespero por sua incapacidade de reviver o passado de forma diferente. (PAPALIA, OLDS e FELDMAN, p. 672).
Ainda de acordo com as referidas autoras, as pessoas que não alcançam a aceitação sucumbem ao desespero, percebendo que o tempo é curto demais para buscar outros caminhos para a integridade do ego. Embora a integridade deva ser mais importante do que o desespero para que essa crise seja resolvida com êxito, Erikson afirmava que algum desespero é inevitável.
De acordo com os preceitos de Erikson (apud PAPALIA, OLDS e FELDMAN, p. 682) as pessoas precisam lamentar-se – não apenas por seus próprios infortúnios e por chances perdidas, mas pela vulnerabilidade e pela transitoriedade da condição humana. Contudo, acreditava Erikson, mesmo quando as funções corporais enfraquecem-se, as pessoas devem manter um “envolvimento vital” na sociedade.
Esses ajustamentos, de acordo com Carmo (2012), referem-se a aspectos da vida pessoal e da vida relacional do idoso, sendo que a aprendizagem desempenha importantíssimo papel, pois o indivíduo idoso necessitará adquirir e exercitar habilidades fundamentais que o ajudarão na execução de atividades diárias e na manutenção de sua qualidade de vida.
É importante ressaltar que as pessoas que são bem-sucedidas nessa tarefa final de integração adquirem um senso de ordem e significado de sua vida na ordem social mais ampla, do passado, do presente e do futuro. A “virtude” que pode desenvolver-se durante esse estágio é a sabedoria, uma “preocupação informada e/imparcial com a própria vida diante da própria morte”. (ERIKSON, 1985 apud PAPALIA, OLDS e FELDMAN, p. 672).
Como vimos nos vídeos indicados para estudo, o Estatuto do Idoso tem como objetivo promover a inclusão social e garantir os direitos desses cidadãos uma vez que essa parcela da população brasileira se encontra desprotegida, apesar de as estatísticas indicarem a importância de políticas públicas devido ao grande número de pessoas com mais de 60 anos no Brasil.
Embora acredite-se amplamente que um retardamento geral no funcionamento do sistema nervoso, conforme medição pelo tempo de reação, contribui de maneira importante para as mudanças nas capacidades cognitivas e na eficiência de processamento de informações, os idosos, como os demais indivíduos nas diferentes etapas de vida, são sensíveis à música. Aprender a tocar um instrumental musical, participar de um curso de iniciação musical, fazer parte de um coral, etc., são atividades riquíssimas e que podem descortinar novos horizontes ao idoso.
Como vimos, o passar dos anos, após a aposentadoria os idosos normalmente sentem-se excluídos do processo social por terem deixado de acompanhar as transformações sociais e tecnológicas. Diante dessa dificuldade o idoso pode excluir-se totalmente, abandonando-se à improdutividade e às vezes até mesmo à depressão ou reagir a essa dissocialização procurando integrar-se novamente à sociedade e à família. Um dos meios pelo qual essa adaptação pode ocorrer é através da educação.
Então, é necessário ampliar programas de apoio social ao idoso, de modo a que este possa se sentir valorizado e valorizar-se. Os aumentos no controle pessoal, na autonomia e na autoestima fazem-se notar em idosos que têm acesso a algumas das atividades descritas até aqui, quando comparados com idoso inativos, isolados e asilados.
Como explicitado por Carmo (2012), cabe aos educadores a importante tarefa de contribuírem para o aumento e manutenção da qualidade de vida por meio da proposição de programas educacionais voltados à terceira idade. Em outras palavras, o verdadeiro papel da escolarização é o acesso ao saber científico e cultural, transformando o indivíduo em cidadão crítico e participativo da sociedade na qual está inserido.
É sabido que o indivíduo inserido em um contexto educativo está melhor preparado para enfrentar os desafios que a sociedade moderna vive, estando hábil para se opor a quaisquer discriminação ou transgressão a seus direitos, que possam sofrer. Por fim, a educação é o caminho para o desenvolvimento do homem e da sociedade. As conquistas daí advindas passam, gradativamente, a integrar a cultura de um povo e desencadear transformações.
Voltar aos estudos, às leituras ou aos bancos escolares é um meio de recuperar a auto-estima, de sentir-se integrado à sociedade, de realizar-se como pessoa. Uma grande aliada, nesse sentido, têm sido as Universidades da Terceira Idade (UNATI), que oferecem oportunidades educacionais à população idosa, independente do seu grau de instrução.
Quando falamos em educação para idosos, não falamos em uma educação preocupada somente com a certificação, mas uma educação que vise a colocar o idoso em sintonia com o seu tempo.
É através da educação que o idoso terá possibilidades de inserir-se em programas de informática, o que proporcionará acesso a um mundo de informações, tornando possível uma nova forma de comunicação; além disso, o idoso pode conhecer as novas tecnologias, inclusive as que são usadas em tratamentos de saúde, mergulhar no universo da arte, seja para apreciar, seja para produzir; enfim, há muito o que aprender, não porque é idoso, mas porque é humano, um ser em movimento, que nunca está pronto. A interação entre as pessoas da mesma idade, mas com diferentes experiências de vida, nas Universidades da Terceira Idade, é um fator que afeta positivamente a vida do idoso, tanto do ponto de vista intelectual, quanto afetivo, e faz com que muitos que ingressam nesta modalidade de educação não queiram deixá-la.
Assim, podemos perceber o papel potencializador que a educação pode exercer no indivíduo idoso, impulsionando seu desenvolvimento nas mais diversas áreas de sua existência, proporcionando-lhe uma Terceira Idade com qualidade de vida positiva.
REFERÊNCIAS
CARMO, J.S. O Idoso: aspectos biopsicossociais. In: ___________. Desenvolvimento e aprendizagem na vida adulta. Disponível em: <http://ead.sead.ufscar.br/mod/book/view.php?id=199619&chapterid=38573> Acesso em 24 mai. 2012.
PAPALIA, Daiane E; OLDS, Sally Wendkos; FELDMAN, Ruth Duskin. Desenvolvimento humano. 8.ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2006. 888 p., il.
PINHEIRO, Geisa Aparecida Dariva. Educação e Envelhecimento: Atividade Intelectual na Terceira Idade. 105 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual de Maringá. Orientadora: Regina Taam. Maringá, 2009.

